Pesquisar

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Ela estava comendo salgadinho!!!


Como se fosse um flagrante de um crime hediondo, uma conhecida se espantou ao me encontrar na hora do almoço no centro da cidade.

Eu estava atrasada por conta do trânsito infernal da cidade maravilhosa e para não chegar ainda mais tarde, tive que fazer uma refeição rápida. Diante das possibilidades, fiz a escolha mais saudável possível: uma empanada com massa sequinha à moda argentina com carne moída apimentada combinando harmoniosamente com uvas passas e ovo cozido no recheio. Para acompanhar, uma garrafa de água de coco fresca.

À primeira vista a pessoa olhou e disse: nossa, você que é tão saudável almoçando salgadinho?!!! Sim, a palavra "salgadinho" tem uma péssima reputação. Quer dizer que você está comendo uma porção de algo frito que se costuma chamar atualmente de alimento com calorias vazias. A possibilidade de uma pessoa como eu estar comendo esse "salgadinho" é claramente repugnante, já que eu sou nutricionista e magra.

Mas aí, paro e fico recordando as tantas vezes que vejo pessoas com todo o tempo do mundo para almoçar, escolhendo no balcão de comida combinações que envolvem preparações fritas, à base de maionese, linguiça e carnes pingando de gordura, por exemplo. O balcão está repleto de opções e essas são as preferências para compor o prato. Talvez estas pessoas também se preocupem com a saúde, mas por alguma razão não conseguem fazer escolhas diferentes, compondo combinações mais completas em termos de nutrientes e sabores.

Isso me faz lembrar um problema sério que acomete nosso cotidiano na atualidade: a dificuldade em definir o que é saudável ou não. E essa dificuldade é devida ao excesso de informações contraditórias, aos profissionais de saúde determinando regras demais, aos empresários que desejam vender seus produtos para emagrecer, à indústria farmacêutica querendo vender seus remédios tarja preta, à indústria de alimentos vendendo seus alimentos "funcionais", "diet" e "light", entre outros fatores que não cabem aqui. Esse contexto gera muita confusão e falta de clareza sobre o que é de fato bom para a saúde. Além de estimular a vigilância ao comer dos outros, uma espécie de polícia alimentar. Somos condenados sem qualquer chance de defesa.

No fim, a saúde tem a ver com bem-estar de maneira ampla, não poderia explicar numa frase ou mesmo num único texto. O bem-estar é um estado de ser elaborado diariamente. Requer nossa atenção, nosso empenho e o nosso prazer na realização. E tem a ver com a autonomia de fazer escolhas que mantém esse bem-estar, incluindo a tranquilidade de saber que esse lanche rápido que fiz é exceção na minha vida e não regra. Aliás, uma exceção muito nutritiva e saborosa por sinal.

Todo dia é dia de despertar seus sabores!