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quarta-feira, 2 de junho de 2010


Difícil ser paciente.

Ontem na aula, discutíamos sobre a comunicação entre profissional de saúde e paciente/população. Não é fácil.

As pessoas são muitos diferentes. Nós construímos ao longo da vida conhecimentos particulares sobre saúde que se originam da forma como fomos criados, do ambiente em que vivemos, daquilo que estudamos, da profissão que temos... Então, quando nos deparamos com um profissional de saúde (nutricionista, médico, enfermeiro etc), trazemos tudo isso de bagagem. Nós chegamos com uma dúvida ou dor ou mal-estar e queremos desse profissional uma resposta, um conforto, alguém em quem possamos confiar nossa saúde. Mas nem sempre conseguimos isso. Muitas vezes o que o médico diz, por exemplo, é complicado de entender porque foi usada uma linguagem médica que só os médicos entendem. E por aí vai...

Se a comunicação entre duas pessoas já é complicada, imagina você ter que dialogar consigo mesmo! Foi o que aconteceu comigo nesses últimos dias. Eu fiquei doente e ninguém ainda sabe me explicar o que está acontecendo. O fato é que eu mesma limitei a minha alimentação para conseguir me alimentar direito, mas não deu muito certo. Eu não melhorava. Então, cansada de esperar os resultado dos exames, de ficar de cama e com dor, resolvi consultar minhas amigas nutricionistas. Primeiro ensinamento aprendido: nunca tente exercer sobre si mesmo sua ocupação profissional. É esquizofrênico consultar a si mesmo e, como antes de qualquer coisa, eu sou um ser humano, a pessoa doente e desamparada supera a profissional.

Se há vantagem em ser nutricionista, é que metade das suas amigas são também. Elas ouviram meus sintomas, meu histórico médico, o relatório do que vinha comendo ou não e me recomendaram uma alimentação bem restrita para ver se eu melhorava. Sobrou pra eu comer: sopas e caldos, suco de frutas e alimentos sem glúten e sem leite ou derivados, nem soja. Uau! Não sobrou muita coisa. Em casa, dá para se alimentar assim sem grandes dificuldades, mas experimenta passar o dia todo na rua! Não há nada desse tipo em qualquer lanchonete que se vá. Tudo tem glúten ou leite e quando é pra ser saudável, leva soja! Segundo ensinamento: não é nada fácil comer com tantas restrições. Sinto na pele isso agora. E devo compreender quando um paciente diante de tais restrições fica deprimido. Terceiro ensinamento: O lado bom é que pensei em formas alternativas de me alimentar na rua e maneiras práticas de levar os alimentos que preciso na mochila.

Tudo o que aconteceu me fez pensar na função de nós, profissionais de saúde, de promover a saúde das pessoas, seja individual ou coletivamente. E isso inclui não só as responsabilidades técnicas de saber fazer bem o nosso trabalho, mas também estabelecer, da melhor forma possível, uma comunicação humana com aquela pessoa que precisa de orientação, que sente dor...

Após eu dizer que estava me sentindo muito melhor, minha amiga nutricionista me perguntou ontem: quando você vai evoluir a dieta (voltar a comer o que comia antes)? Eu respondi: me diz você. Eu não sei de nada disso, sou só paciente.


9 comentários:

Anna Anjos disse...

De ser realmente muito difícil consultar-se a si mesma em momentos como esse.
Muito interessante sua observação e, principalmente, o fato de dividir isso com os leitores.

Bjs!

Mônica Lobo disse...

A aula de ontem sobre interação profissional de saúde-paciente acabou me levando a refletir sobre isso. ;D

ths disse...

muito bom! acho que é como se fosse uma auto-medicação... rsrs as vezes até dá certo e não nos fere a autonomia sobre o corpo, mas é perigosa... as vezes não dá certo, ou, precisamos do externo que analise e nos prescreva o que fazer... :/
Já falei.. escreve pro CRN e pede pra fazer um adesivo.. rsrsrs
bjs e parabéns como sempre!

Mônica Lobo disse...

Ainda não entendi bem a história do adesivo. rsrsrs. Depois me explica.
Saldo positivo disso tudo? O que me tirou da cama foi a alimentação! Ponto para o que nos alimenta!

Tatiana disse...

Oi amigaaa....
Pois é, realmente é difícil vc adotar uma conduta nutricional pra si mesma, já passei por isso algumas vezes, é tão difícil qt querer melhorar ou mudar a alimentação dos integrantes da familia, já que se santo de casa não faz milagre, o que dirá do próprio santo hehehehe....!!! Beijos minha amiga e assim como eu, nutricionista...!!!! Adoro vc...!!!!
Ahhhh, adorei o texto hihhihihi.....

Mônica Lobo disse...

Muito bom dividir isso com vocês!
Obrigada, equipe!!!

Alexandre Soma disse...

Um dia essa menina vira escritora, é questão de tempo... Maninhaaaaa!!!

Débora Fonseca disse...

Texto leeeve, gostoso de ler, e informativo.

Só compreendemos quando sentimos na pele. Não a toa que muitos estudantes assim The Doctor quando estão na faculdade (eu assisti!)

Que bom que melhorou.
Gostei muito mesmo do texto.
Vontade de mostrar pros colegas de turma =D

Mônica Lobo disse...

Oi, Deby. Pode mostrar o texto pros colegas. Sempre ajuda no aprendizado. ;)
E, valeu muito a dica do filme. Volver!!!

Beijos.