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segunda-feira, 21 de junho de 2010


Não seria glúten?
Problemas na divulgação da ciência... rs

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O conhecimento não é uma árvore com ramos saberosos crescendo e se isolando. O conhecimento são ideias rizomáticas, raízes saborosas que se entrelaçam. São mandiocas, inhames, batatas doces... Vamos fritá-las e comê-las!

domingo, 6 de junho de 2010

Este texto CONTÉM GLÚTEN.

Enquanto os médicos não descobrem o que acontece dentro de mim_ e não é no sentido poético da coisa_ vou seguindo as recomendações das minhas duas nutricionista (é, eu tenho duas!). Minha alimentação super restrita foi a única coisa que me fez voltar a me sentir saudável e a fazer minhas atividades do dia-a-dia.

Dentre os alimentos que foram retirados temporariamente da minha rotina, incluem-se aqueles que contém glúten. Pra quem não sabe, o glúten é uma proteína presente nos seguintes cereais: trigo, aveia, centeio, cevada e malte (1). Se pararmos para pensar um instantinho, já se pode imaginar a variedade de alimentos que CONTÉM GLUTÉN _já viu isso nas embalagens dos alimentos? Aposto que já! Se pensarmos só no trigo, podemos incluir: todos os tipos de macarrão, de pão e de biscoitos vendidos nos mercados. Se pensarmos numa lanchonete, todos os sanduíches e todos os salgados como esfirras e empadas, por exemplo, também são feitos de trigo. Isso sem falar nos doces...

Concentrando-me no mercado, fui em busca de opções de biscoitos salgados que NÃO CONTÉM GLUTÉN. Encontrei biscoito de polvilho e chips de mandioca e inhame num mercado enorme com fileiras intermináveis de corredores de produtos. Reinam os produtos à base de farinha de trigo, claro. Comprei as duas únicas opções que eu dispunha, embora a mandioca e batata chips sejam gordurosas, o que não ajuda no meu bem-estar digestivo. Mas, enfim...

O trigo é o cereal mais produzido e consumido no mundo (2). A partir da Segunda Grande Guerra Mundial, os alimentos com alto valor calórico e com longa durabilidade foram tomando conta do mercado norte-americano e depois se estendendo, até influenciar nossos hábitos alimentares aqui no Brasil. Alimentos à base de trigo, milho e soja foram virando base da nossa alimentação, tomando o lugar das raízes (mandioca, inhame, batata...), das hortaliças (couve, tomate, chuchu...), das frutas etc (4). Fomos deixando de comer alimentos in natura ou fresco para substituí-los por alimentos industrializados que podem ser práticos, mas muitas vezes não fazem bem à nossa saúde.

Segundo a ASBAI (3), os alimentos mais comuns de provocar reações alérgicas são: leite de vaca, ovo, soja, trigo, peixe e crustáceos. Se o contato frequente com um determinado alimento, ao longo do tempo, pode levar ao desenvolvimento de alergias nas pessoas que são susceptíveis, podemos imaginar o que acontece conosco comendo tantos alimentos industrializados que tem farinha de trigo como base (é só dar um olhada na lista de ingredientes nos rótulos dos alimentos industrializados, a maioria tem!).

Vejo isso como uma oportunidade de reclamar à indústria de alimentos menos produtos alimentícios usando trigo como base e mais alimentos que NÃO CONTÉM GLUTÉN ou trigo, para uma melhor qualidade de vida daqueles que não podem comê-lo.



Fontes:

1- http://www.acelbra.org.br/2004/doencaceliaca.php

2- http://www.cnpt.embrapa.br/culturas/trigo/index.htm

3- http://www.sbai.org.br/secao.asp?s=81&id=306

4- POLLAN, M. Em defesa da comida: uma manifesto. Ed. Intrínseca, Rio de Janeiro, 2008.

sábado, 5 de junho de 2010

Além do Rótulo: projeto vira realidade em mercado de Brasília.
video

Daqui por diante, o serviço será gradualmente aperfeiçoado e estendido para todo os mercados do Brasil!

Fico extremamente feliz de trabalhar na construção do conteúdo de Nutrição do Além do Rótulo!

quarta-feira, 2 de junho de 2010


Difícil ser paciente.

Ontem na aula, discutíamos sobre a comunicação entre profissional de saúde e paciente/população. Não é fácil.

As pessoas são muitos diferentes. Nós construímos ao longo da vida conhecimentos particulares sobre saúde que se originam da forma como fomos criados, do ambiente em que vivemos, daquilo que estudamos, da profissão que temos... Então, quando nos deparamos com um profissional de saúde (nutricionista, médico, enfermeiro etc), trazemos tudo isso de bagagem. Nós chegamos com uma dúvida ou dor ou mal-estar e queremos desse profissional uma resposta, um conforto, alguém em quem possamos confiar nossa saúde. Mas nem sempre conseguimos isso. Muitas vezes o que o médico diz, por exemplo, é complicado de entender porque foi usada uma linguagem médica que só os médicos entendem. E por aí vai...

Se a comunicação entre duas pessoas já é complicada, imagina você ter que dialogar consigo mesmo! Foi o que aconteceu comigo nesses últimos dias. Eu fiquei doente e ninguém ainda sabe me explicar o que está acontecendo. O fato é que eu mesma limitei a minha alimentação para conseguir me alimentar direito, mas não deu muito certo. Eu não melhorava. Então, cansada de esperar os resultado dos exames, de ficar de cama e com dor, resolvi consultar minhas amigas nutricionistas. Primeiro ensinamento aprendido: nunca tente exercer sobre si mesmo sua ocupação profissional. É esquizofrênico consultar a si mesmo e, como antes de qualquer coisa, eu sou um ser humano, a pessoa doente e desamparada supera a profissional.

Se há vantagem em ser nutricionista, é que metade das suas amigas são também. Elas ouviram meus sintomas, meu histórico médico, o relatório do que vinha comendo ou não e me recomendaram uma alimentação bem restrita para ver se eu melhorava. Sobrou pra eu comer: sopas e caldos, suco de frutas e alimentos sem glúten e sem leite ou derivados, nem soja. Uau! Não sobrou muita coisa. Em casa, dá para se alimentar assim sem grandes dificuldades, mas experimenta passar o dia todo na rua! Não há nada desse tipo em qualquer lanchonete que se vá. Tudo tem glúten ou leite e quando é pra ser saudável, leva soja! Segundo ensinamento: não é nada fácil comer com tantas restrições. Sinto na pele isso agora. E devo compreender quando um paciente diante de tais restrições fica deprimido. Terceiro ensinamento: O lado bom é que pensei em formas alternativas de me alimentar na rua e maneiras práticas de levar os alimentos que preciso na mochila.

Tudo o que aconteceu me fez pensar na função de nós, profissionais de saúde, de promover a saúde das pessoas, seja individual ou coletivamente. E isso inclui não só as responsabilidades técnicas de saber fazer bem o nosso trabalho, mas também estabelecer, da melhor forma possível, uma comunicação humana com aquela pessoa que precisa de orientação, que sente dor...

Após eu dizer que estava me sentindo muito melhor, minha amiga nutricionista me perguntou ontem: quando você vai evoluir a dieta (voltar a comer o que comia antes)? Eu respondi: me diz você. Eu não sei de nada disso, sou só paciente.