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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Dissecando a vida.

Eu era tão racional que dediquei três anos da minha vida dissecando cérebros de ratos na tentativa de entender como as coisas funcionam. Pensava que observando a porção microscópica da questão, lá estaria, em meio a moléculas elementares, um dicionário ilustrado ensinando a viver. Como alguém racional pode ser tão ingênuo a ponto de achar que pode entender tudo assim? Ou seria pretensão reducionista?
Indo fundo na questão, no tecido que estrutura nosso intelecto, que dá base química e física aos nossos pensamentos, acabei me perdendo da minha insistente tendência crítica. Encontrei rituais de sacrifício, sangue, fatias de cérebro, imagens brilhantes num microscópio magnífico que, por alguns instantes, me deslumbravam. E quanto mais eu estudava a incrível desenvoltura da nossa massa cinzenta, ia descobrindo que ser humano vai muito além de conexões neuronais, sinapses e toda a enciclopédia técnica que descreve como nosso cérebro funciona. Esse arsenal de conhecimento me disse que a compreensão da vida é mais ampla que entender química, física, biologia...
Lancei meu olhar para dentro das células, do núcleo delas, da sua capacidade de se reproduzir, mesmo em ambiente desfavorável. Investiguei a capacidade que as células do cérebro tem de se reinventarem diante da restrição alimentar aplicada nas origens do seu desenvolvimento, quando as células ainda estão se multiplicando para gerar um novo ser. Eu as desafiei, as provoquei, as privei de nutrientes e o que elas fizeram? Se adaptaram e me surpreenderam! De certa forma, me ensinaram um pouco a viver. Elas formaram tecido cerebral, estruturaram cérebros funcionais e me mostraram que a vida é assim: eu faço planos perfeitos, encaro as adversidades, improviso, dou um jeito e cresço. E não é por isso que eu vou crescer torta e mau-humorada. Porque se um dia algo faltou, eu estou viva agora, neste exato momento, com a oportunidade de recriar novos desfechos para a minha própria história.
Não se pode mudar a origem das nossas vidas, mas o daqui-por-diante nós podemos inventar todos os dias. Se as células são capazes de superar adversidades, nós, feitos de um punhado delas, também somos. Se usamos o cérebro, no sentido mais orgânico da palavra, e também no sentido de dar aos nossos pensamentos, e principalmente, às ações resultantes deles, novos e brilhantes caminhos, não precisamos invejar as células. Seremos bem-sucedidos cúmplices nessa aventura chamada vida!

domingo, 3 de janeiro de 2010


Concreto hieroglifado na rotina seca-esfumaçada entre dias delimitados sem glória. Por que, então, haveria cores? Não! A catatonia não é croma, nem soma o degradé idílico dos arco-íris picotados e jogados pelas janelas nos dias possivelmente felizes e festivos. Espie a ausência, ela é flagrante ao lado.




Bandeamento de corpúsculo de cromatina em metáfase.