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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nós, equilibristas.

Todos que me conhecem sabem que sou magra, sempre fui. Mesmo com os excessos alimentares da adolescência, o máximo que ganhei de peso a mais que tenho hoje foram 4 kg. Sem as comilâncias desnecessárias, voltei ao peso que tenho até hoje. E sim, existe uma tendência na minha família ao corpo esbelto. Mas, se eu e meu irmão modificássemos nossos hábitos a ponto de nos tornarmos obesos, poderíamos transmitir esse comportamento a nossos filhos. Então, poderíamos ter filhos obesos, podendo gerar netos obesos também. E assim por diante. Porque estou falando isso? Porque algumas pessoas tem uma tendência (genética) a acumular gordura, mas todos nós podemos acumular gordura através da ingestão de alimentos além do que precisamos. E não falo só da questão do ganho de peso. A obesidade costuma trazer consigo o diabetes, a pressão alta e as doenças cardíacas, formando o conjunto da chamada “síndrome metabólica” responsável por milhões de mortes todos os anos.

Você que está lendo esse texto pode estar pensando: 1- pra quem não tem tendência a engordar é fácil falar de manter o peso e a saúde, 2- como é que a gente pode ter uma alimentação saudável em meio a tantas ofertas de alimentos ditos “não-saudáveis”? São bons questionamentos que merecem uma ótima reflexão. Falando sobre mim, fora minha herança genética, preciso deixar claro que procuro ter uma alimentação equilibrada, assim como o equilibrista se mantém sobre a corda-bamba. Apesar de não gostar de refrigerante e frituras, preciso utilizar da minha consciência a maior parte do tempo para evitar excessos e preservar minha saúde, e por tabela, meu corpo. Não é fácil. É jogar contra as propagandas de fast food, o estresse que pede um docinho, convites pra rodízios...

Um dado simples, porém importante, foi demonstrado em vários estudos com populações nativas isoladas da nossa alimentação ocidental (índios, esquimós etc): a ocorrência quase nula de doenças cardíacas, diabetes, câncer, obesidade, AVC, úlcera, apendicite ou cárie dental. Claro que essas populações tem um estilo de vida diferente das metrópoles, mas a falta de consumo de açúcar, alimentos processados e refinados e gordura em excesso parece ser a diferença alimentar que faz diferença. A oferta de alimentos que temos, antes considerada salvadora, assim como garante nossa sobrevivência, pode estar encurtando nossa expectativa de vida. Avançamos nos tratamentos médicos e retrocedemos na prevenção de doenças. Temos vacinas para muitas doenças, mas adoecemos pela alimentação.

Embora nossa vida seja na cidade, num mundo industrializado, nosso organismo ainda é programado pra guardar calorias até a próxima caça, como era nos tempos das cavernas. Como nossa caça nos aguarda nos corredores do supermercado mais próximo, pouco esforço se faz. Não digo que comer isso ou aquilo está certo ou errado, pois esses conceitos são muito subjetivos. O problema está numa combinação entre o excesso de alguns alimentos que não são necessários a nossa saúde, embora sejam saborosos, e a falta de alimentos que nos fornecem os nutrientes para a função normal do organismo. Equilibristas que precisamos ser, nossas escolhas determinam o quão longe vamos em nossas cordas-bambas de vida. Melhor que seja longe!

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