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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O segredo.

Lendo uma entrevista com o ator Anderson Muller descobri que ele já teve 116kg distribuídos nos seus 1,75m de altura e conseguiu perder 28 kg, permanecendo em forma até hoje (vide foto). Ele descreveu sua peregrinação entre tratamentos para emagrecimento mal-sucedidos, conseguindo a perda de peso desejada e manutenção dessa perda apenas por meio de reeducação alimentar e atividade física. Pra ele, comer bem e correr são prazeres e eternos aliados à boa saúde e boa forma.

Nessa mesma semana, pesquisadores da UNICAMP demonstraram em experimento com ratos que o exercício físico aumenta a ação antiinflamatória de uma proteína que age no hipotálamo, centro de controle do apetite no cérebro (ver postagem Neurônios Wars: a picanha contra-ataca). E daí? Vou explicar: diminuindo a inflamação dessa região do cérebro, a pessoa que deseja emagrecer fica com a apetite mais controlado, logo, come menos e emagrece com mais facilidade. Então, o exercício físico, além de queimar calorias, diminuindo os depósitos de gordura (populares pneuzinhos), aumenta a massa muscular e (tchãrãm) reduz a vontade de comer!

Sei que alguns vão se dizer “Pô, quando saio da academia, fico com uma fome desgraçada! Como é que exercício pode diminuir o apetite?”. Boa pergunta! A fome que se sente após a atividade física depende do tipo de alimentação que você tem. Há quantidades e tipos específicos de alimentos para que a atividade física seja bem aproveitada e para que você não saia faminto da academia. Os nutricionistas estão aí pra orientar quanto a isso. Mas fome após se exercitar é normal, todo mundo tem. Assim como sede, cansaço, suor... O que não ajuda é fazer uma maratona e depois passar como um furacão pela geladeira, armário de biscoito etc.

Como relatou o ator, o segredo (que não é nenhum segredo) é reeducação alimentar e atividade física, combinação bombástica pra ter um peso e uma vida saudáveis, sem ficar no ritmo da sanfona. O cérebro, o corpo e você mesmo vão agradecer.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Comer com os olhos emagrece?

Há que possa me olhar numa cafeteria fotografando meu próprio lanche e pensar: “Que coisa mais cafona ficar tirando foto de tudo...” Bom, eu não tiro foto de tudo, gosto especialmente de paisagens e comida. Poderia até dizer que sofro de um voyerismo crônica quando se trata de alimentos. Não sei se isso é só por causa da minha profissão ou se eu enxergo o que comemos como pequenas obras de arte. Arte frágil na sua estrutura orgânica deteriorável, sim. Mas irresistível!

Há preparações que são quase um Monet de comer (opa, rimou). O contraste do molho de tomate vermelho sobre a pálida macarronada, a suculência bronzeada de um frango assado, o multicolorido de uma salada de frutas ou mesmo o frescor ferdejante de uma simples alface. Essas imagens me encantam como paisagens de pôr-do-sol. Então, eu não resisto. Saco minha câmera como um fora da lei do velho oeste e antes que qualquer um possa pensar (bang!), a foto já foi tirada. Claro que depois eu saboreio sem pena o meu objeto fotográfico. Implacável!

Porque estou eu divagando sobre essa minha atividade voyerista, afinal? Eu explico. Acabei de ler uma reportagem divulgando um estudo do Instituto de Pesquisa em Psicologia e Saúde da Universidade de Utrecht, na Holanda. Os pesquisadores testaram o nosso clássico “comer com os olhos”. Selcionaram mulheres (claro!) pro teste e as dividiram em dois grupos: grupo “ver imagem de bolo de chocolate” e o “grupo observar flor”. As participantes olhavam essa imagem e depois poderiam escolher entre biscoitos de aveia ou de chocolate. Resultado: as criaturas que contemplaram a linda flor atacaram depois os biscoitos de chocolate (tédio?) e aquelas que ficaram olhando o doce numa imagem sedutora e embriagadora preferiram depois os biscoitos de aveia. Todas essas mulheres estavam sob regime de emagrecimento e parece que olhar a imagem do bolo de chocolate as fez pensar duas vezes antes de burlar a dieta.

Como esse é um resultado parcial, de um estudo isolado, não podemos afirmar que isso é verdade. Mas, na dúvida, deu uma vontade enlouquecedora de comer aquelas comidinhas engordativas que a gente tanto gosta, olha uma foto bem bonita primeiro. Vai que a vontade dá e passa? Pra auxiliar, disponibilizo as minhas fotos voyeristas nos links abaixo. E boa sorte!

http://twitpic.com/photos/Monicanutri

http://www.flickr.com/photos/41641006@N04/


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O curioso caso da laranja-esponja

Eu já vi todo tipo de desculpa ou justificativa pra alguém comer algo que não deve sem ser recriminado. Alguns me olham numa mesa de bar e dizem “olha, eu só como batata frita no fim de semana”. Ou numa festa: “só tô comendo brigadeiro porque quase não vou a essas festinhas”. Ou então: “vou almoçar um mega-podrão na esquina porque hoje não vou jantar mesmo”. Ou ainda: “Preciso comer um chocolate senão vou ter um ataque!”. E não menos importante “Vou beber um chopp porque meu trabalho é muito estressante”. Na verdade, a gente come porque quer e gosta. Ninguém precisa de chocolate, cerveja ou hamburguer engordurado. Biologicamente falando, claro! Mas eles existem, esses ameaçadores da saúde e silhueta alheias, e às vezes parecem que foram inventados só pra nos atormentar...

Um bom exemplo disso é a feijoada. Imagina quem gosta de comer um feijão carregado e não pode porque está acima do peso ou com colesterol alto. Deve ser bem frustrante... Daí, pra resolver esse impasse, surgem receitas mirabolantes para comer a tal da feijoada, na íntegra e sem culpa. No melhor estilo “Essa eu vou comer porque é light, não tem problema”. E mesmo sem nenhuma comprovação científica dessa afirmação, o amante do dito feijão vai na fé e acredita que vai dar tudo certo. Se tão dizendo que é light, é light!

A última receita que recebi ensina a pessoa a cozinhar a feijoada com uma laranja inteira dentro, alegando que a laranja sugaria a gordura da feijoada, tornando a mesma indicada para o consumo liberado. Espera aí! Ninguém ainda estudou o quanto uma laranja, como uma sonda vasculhando as profundezas abissais de uma feijoada, pode recolher material lipídico em sua missão “panela de pressão”, resultando numa feijoada light (menos gordurosa). Talvez uma pessoa muito criativa e com tempo sobrando, olhou pra panela, pra laranja e pensou: “Porque não? Se dizem que comer laranja diminui colesterol, e se ela fosse dentro da feijoada...” Bom, vamos organizar as ideias. A laranja tem pectina, uma fibra que diminui a absorção de gordura no intestino. Mas isso não quer dizer que a laranja vai fazer isso dentro da feijoada! Encontrei um blog* que descreve esse experimento de maneira informal e não encontra diferença entre a feijoada cozida com a laranja e sem a laranja. Aliás, a “versão laranja” teve alterações de cor e aroma em relação à tradicional. Esse experimento não foi cientificamente controlado, mas já dá resultados parciais bem reveladores.

Concluindo, ou se faz uma versão light de verdade, com carnes magras ou come-se a versão tradicional da feijoada com moderação. O jeito é consultar um Nutricionista para iniciar as negociações! Que vença a melhor opção pro seu paladar e pra sua saúde!


*http://come-se.blogspot.com/2009/01/laranja-rouba-gordura-da-feijoada-mito.html



Nota sobre prazer de comer 2

Se fosse me atribuir um pecado, inventaria uma categoria nova: a degustação luxuriosa. Seria como “fazer sexo sem o objetivo de procriação” aplicada ao ato de comer, porque meu paladar é promíscuo e aventureiro por natureza.