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quinta-feira, 25 de junho de 2009

Neurônios Wars: a picanha contra-ataca.

Hipotálamo, palavra estranha para dar nome a uma estrutura na parte central do nosso cérebro que controla a nossa fome, o dito controle de saciedade. Você já comeu o suficiente? Ele manda sinal pra você parar. Comeu menos do que precisa? Ele sinaliza pra que você continue comendo até que ele avise que já é suficiente. Simples assim? Não! Existem muito fatores entre o parar e o continuar comendo. Além do apelo dos alimentos_ como chocolate, uma fatia de torta ou um sacão de pipoca com manteiga_ que desempenham um efeito emocional poderoso em nós, vítimas famintas, há um mundo pouco conhecido de fatores biológicos envolvidos.

Recentemente, pesquisadores da UNICAMP concluíram um estudo mostrando que uma dieta rica em gordura saturada_ aquela das frituras, da linguiça, da picanha..._ gera um processo de inflamação que ataca o hipotálamo, provoca a morte de neurônios importantes, prejudicando o controle do apetite. Após a morte desses neurônios, mesmo com o consumo de uma dieta equilibrada, a perda de peso fica prejudicada. Em outras palavras, comer muita gordura saturada além de engordar, faz com que o indivíduo tenha dificuldades em emagrecer. Isso ocorre porque o apetite fica fora do controle do cérebro.

No mesmo estudo, os pesquisadores observaram que o consumo de azeite (gordura monoinsaturada) protege o hipotálamo e contribui para o emagrecimento. O indivíduo que come mais azeite que fritura, além de não tender a engordar, tem mais facilidade pra emagrecer.

Essa pesquisa foi inédita e importante para ajudar a entender porque algumas pessoas que sofrem de obesidade, mesmo sob orientação especializada, não conseguem a perda de peso desejada. Já se cogita, inclusive, no futuro, uma terapia com células-tronco para regenerar o hipotálamo como uma forma de curar a obesidade.

Por hora, vai bem investir no azeite, dá uma maneirada nas frituras e picanhas da vida e aguardar as novidades científicas.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A dieta do adelgaçamento

Não se anime tanto. Eu não criei uma dieta nova, revolucionária e milagrosa que faz você perder 10 kg até a festa que você precisa ir no fim de semana. Tão pouco esta dieta é baseada em proteínas, exclui os pobres carboidratos, segue as fases da lua, obriga você a se entupir de sopa, barras de cereal, shakes ou sugere que você se alimente da mesma forma que Jesus Cristo. Na verdade, esta dieta considera a sua individualidade: o que você precisa comer, quanto, quantas vezes ao dia. Esta dieta é recomendada por Nutricionistas, seres dotados de informação suficiente pra te orientar quanto ao significado da palavra dieta_ um nome genérico para alimentação_ que tem sido muito mal usada como sinônimo de regime-maluco-que-emagrece-e-esculhamba-sua saúde.
Na verdade, a misteriosa dieta do adelgaçamento é apenas a forma pela qual os portugueses chamam nossa dieta de emagrecimento: nome genérico para orientação nutricional que objetiva perda de peso com ganho de saúde. Porque esse dois fatores não podem andar separados. E tem muita gente investindo na separação deles. Isso não pooooode!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Financier: um ilustre desconhecido.

Não me recordo da primeira vez que comi um financier. Posso garantir que foi numa das cafeterias que costumo frequentar. Ele veio no pires acompanhando o café que eu pedi. Eu sei que olhei pro bolinho e até achei meio sem graça. Mas foi só provar para me apaixonar perdidamente. Eu não sabia explicar o que havia de tão especial. Eu sequer conseguia supor do que era feito. Eu chamei o atendente e perguntei “tem desse grande?”. Ele disse não e se foi. Fiquei triste. Quase pedi outro café só pra ganhar outro bolinho. Me contive. E essa cena se repetiu algumas vezes até a última sexta-feira.

Pra variar, chamei amigas pra conhecer uma cafeteria nova. Eu a descobri na semana anterior e achei os doces tão lindos que valia à pena conferir se também eram gostosos. Pra começar pedi um cappucino e voilà!, eis que me aparece no pires o meu querido bolinho desconhecido. Não perdi tempo e perguntei “tem desse grande?”. O simpático atendente me pediu pra aguardar e sumiu por alguns instantes. De repente voltou com uma caixa em mãos. Peguei a caixa dele e com uma alegria infantil fiquei admirando as fileiras dos meus adoráveis (adoro esse adjetivo!) desconhecidos. Atrás da caixa, enfim, descobri o nome: financier. São feitos basicamente de manteiga e farinha de amêndoas. Sabia que era algo desse tipo! Eu adoro amêndoas! Nem preciso dizer que comprei a caixa, né?

Pra terminar de satisfazer minha curiosidade, fiz meu trabalho: pesquisei. Lógico, um bolinho com um nome tão curioso e tão saboroso tinha que ser investigado. Então, os financier têm origem francesa _como o nome já faz supor_ e eram vendidos na região da bolsa de valores de Paris, originalmente. A clientela: ricos executivos da Bolsa. Investidores.

Ainda bem que os financier se popularizaram e hoje em dia, uma modesta nutricionista brasileira pode desfrutar do prazer de degustá-los enquanto curte um cafezinho com as amigas. Nem preciso ir à Paris pra isso... Se bem que, eu não acharia ruim fazer o mesmo às margens do Senna. Un jour, je serai là!