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terça-feira, 10 de março de 2009

Da água para a água.


Lá da sopa inicial de todos os tempos, onde átomos sem rumo na vida, vadios, resolveram fazer ligações covalentes muitos suspeitas e... Esse monte de carbono junto foi criando a nossa existência orgânica. Essa água aí que é desperdiçada e rebaixada todos os dias à categoria de líquido sem gosto, sem graça e sem função de embebedamento, quem diria, é um solvente universal! Boniiiito! Ela está em todos os lugares. Onipresente como uma deusa fluída que atende a todas as exigências do nosso mundo tão físico-químico. Diz um amigo meu que ela é perfeita. Se encaixa em qualquer meio, super popular, badalada... Somos, em síntese, um apanhado de água viscosa e nutritiva muito bem arranjada. Pelo menos o suficiente para nos permitir conter funções incríveis como ter o coração batendo o tempo todo sem que precisemos pensar sobre isso. Aliás, pensar sempre foi nosso maior problema, além de ser uma das nossas maiores virtudes. Porque, melhor que raciocinar é utilizar nosso cérebro para coordenar sentidos e desfrutar dos sabores mais divinos! Está a água ali na saliva misturando o que comemos, espalhando partículas numa sincronia admirável para que cada receptor reconheça os sabores e cheiros que o cérebro vai julgar: bom ou ruim, amargo, salgado, doce, parecido com o bolo daquela cafeteria... A água dilui, digere, absorve, circula, devolve, transpira, chora, espirra, nada...

A origem da vida, dizem, foi na água. Penso que até hoje é assim. Quando somos pequenos, bem pequenos, cerca de 8 células, já somos feitos de água e mergulhados nela. Flutuamos por muitos meses e depois ela nos expulsa pra secura do mundo. Aí, vez ou outra, a gente volta de teimosos que somos. Mesmo nos faltando ar, mesmo nos enrugando a pele, somos muito felizes na água. Tipo uma aula de natação. O silêncio, a leveza, o ritmo da água nos devolve as nossas origens de destemidas partículas flutuantes aleatórias e felizes.

Um comentário:

Alexandre Soma disse...

Maravilhoso!!!!!