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quinta-feira, 19 de março de 2009

Ativista da ciência



Assisti ao filme que deu o Oscar de melhor ator a Sean Penn esse ano e, diga-se de passagem, ele mereceu. Milk trata da história de vida e de luta de um homem que decidiu não se conformar com a discriminação a sua preferência sexual nos EUA da década de 70. É comovente assistir sua devoção em favor do que ele acreditava ser justo. Do momento em que ele se reconhece como um ativista até suas conquistas mais importantes, o expectador conhece todo o mecanismo político que se desenrola por trás disso. Assistimos como é que alguém partindo do zero, em condições precárias, sem remuneração e com muita força de vontade consegue atingir sua meta. E como é difícil.

Nesse momento, meu cérebro fez uma associação inusitada e eu me descobri uma ativista da ciência, pois como aqueles retratados no filme, eu e muitas outras pessoas engajadas na causa da ciência trabalham muito sem remuneração e precisam ser persistentes ao extremo para não desistirem. Não sei como funciona no resto do mundo, mas aqui no Brasil quem se propõe a trabalhar com pesquisa precisa de muito mais do que vocação. Como a educação e a pesquisa caminham juntas, não é de se estranhar que o trabalho dos pesquisadores não seja valorizado. Sobretudo os iniciantes. Existe um costume que precisa ser mudando: o de esperar que o trabalho de pesquisa seja algo feito de graça por puro amor à causa. Quando se trata de uma questão profissional na qual se envolve ganhar e se sustentar, não se pode fingir que o trabalho do pesquisador é coisa pra gente que não tem o que fazer, porque a pesquisa não é algo supérfluo. Tudo que temos e todos os maravilhosos avanços que presenciamos diariamente são frutos de pesquisa ou se iniciam nela. Então, que fique claro que jaleco não é hábito eclesiástico e que pesquisar não é renunciar a vida em sociedade, é contribuir para que essa seja sempre melhor. E pra isso, nós pesquisadores precisamos ser devidamente remunerados sempre, desde o aluno de iniciação científica, mestrando, doutorando...

Enquanto as engrenagens do mundo científico não refletem os avanços extraordinários da ciência, seguimos panfletando pela valorização da nossa atividade. Quem sabe a gente chega lá...

2 comentários:

Tatiana disse...

Amigaa...!!!
Mt bom o texto...!!!
Estava mt tempo sem passar por aqui e sem comentar mas agora estou de volta...!!!
Realmente enfrentamos mt dificuldade quando decidimos trambalhar com pesquisa, desde a iniciação cientifica até o pós doutorado...espero que num futuro não muito distante essa realidade seja diferente e que nosso governo aumente os investimentos para pesquisa que em outros países muitas vezes é vista como prioridade nas universidades...!!!
Particularmente estou feliz em voltar pra pesquisa, pelo menos ainda na luta pela volta...mas tenho fé que vai rolar...afinal pesquisar eh uma arte da qual eu adoro...hehehe...!!!
Beijo grande...!!!!Te adoro...!!!

Mônica Lobo disse...

Pois é: pesquisar e fazer arte são sinônimos no que diz respeito à dedicação e a falta de remuneração. Torço pra que isso melhore e continuo na luta. :-)

Beijocas.