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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Entre o trigo e o milho há um mar de glúten.

 

Contém glúten. Não contém glúten. Aposto que todos já leram isso numa embalagem de alimento. Além de não ser tolerado pelo sistema digestório de algumas pessoas (celíacos), o que é que os alimentos com glúten (trigo, aveia, centeio e cevada) fazem que os outros (arroz, milho, batata e mandioca) não fazem?

Bem, se essa conversa for parar na cozinha e você tiver uma vontade súbita de aproveitar umas batatas largadas na geladeira pra fazer um nhoque (ou inhoque, ou gnocchi), saber essa resposta faz diferença. Principalmente se você descobrir que não tem farinha de trigo e achar uma caixa de amido de milho* perdida no armário. Se a farinha de trigo e o amido de milho são tão parecidos, será que você poderia trocar um pelo outro e ficaria tudo certo? Não é tão simples assim. Como eu costumo recorrer às receitas, mesmo que seja só pra conferir o modo de preparo, me dei conta que o nhoque com farinha de trigo só leva trigo e batata, enquanto o nhoque com amido de milho leva, além da batata e do amido, ovo e manteiga. Fiquei intrigada com a diferença e tentei lembrar o motivo, extraindo química de alimentos das profundezas da minha memória. Em alguns minutos desvendei o mistério perguntando pra minha amiga-química-de-alimentos sobre o caso. A mesma preguiça que me impediu de ir ao mercado comprar farinha de trigo me fez tirar a dúvida com ela. Em ambos os casos, a preguiça economizou tempo, me forçou ao improviso e resultou em novos conhecimentos.

Voltando ao recheio da questão, a diferença está nas propriedades elásticas do glúten. Segunda minha amiga, o glúten forma uma estrutura protéica viscoelástica (que bonito!).  O trigo, que contém glúten, acaba desempenhando a função do ovo e da manteiga (sustenta a massa, atribuindo elasticidade e maciez). Daí a importância do famoso glúten.

No fim das contas, eu fiz o nhoque com amido de milho, batata, margarina e ovo. As bolinhas ficaram mais firmes e lustrosas, digamos assim, que na versão original com trigo. É possível sentir um pouquinho do gosto do amido, mas eu achei bom mesmo assim. Tudo vai depender também do molho, acompanhamento... Com glúten ou sem glúten, o importante é ficar gostoso! E “cair” bem, claro!

 

*pra quem não sabe, amido de milho é maisena. Ou maisena é amido de milho. Whatever...

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensar emagrece?


Não importa se eu estou sozinha ou se há gente andando pela casa. Se há baralho ou o mais completo silêncio da madrugada. Se eu estiver concentrada, é como se o mundo estivesse deixado de existir. Uma redoma invisível e com isolamento acústico me protege de qualquer coisa que possa atrair a minha atenção. Isso é curioso, porque eu costumo me distrair com certa facilidade, prestando atenção nos detalhes de uma imagem ou reproduzindo mentalmente o que está sendo dito na TV (dã). Talvez seja por isso que as idéias mais doidas surjam com uma certa freqüência na minha cabeça... Costumo dizer que sou especialista em Associação Aleatória, uma característica essencial no processo criativo, seja pra escrever, ou para fazer um trocadilho no momento certo para que todos dêem risadas numa mesa de bar.

Fora o meu funcionamento cerebral randômico, já reparei outra coisa interessante: pensar emagrece! Quando mergulho no meu universo de pensamentos abissais, meus neurônios utilizam tanta energia quanto aqueles seres fluorescentes das profundezas do oceano. Em um período relativamente curto de raciocínio encadeado em prol da solução de algum dilema científico, o resultado costuma ser solução ou não somada a muita fome. Uma fome instantânea como se eu tivesse acabado de voltar da academia. Em geral, quando minhas idéias estão pulsando e interessantes, não quero nem parar pra comer, mas chega um momento que, ou eu como algo, ou não consigo mais pensar. “Droga! Vou ter que anotar isso e fazer depois do lanche.” Eu compreendo aquelas pessoas que estão tão concentradas que pegam o lanche e comem enquanto estão pensando. Aí é que está o perigo!

Quando me formei, me descreveram como a pessoa da turma que mais seguia os preceitos de alimentação saudável. É verdade. Em geral, como o necessário pra minha sobrevivência em termos calóricos e de nutrientes (amo frutas!), embora adore alimentos ditos “engordativos” como chocolate e sorvete. Eles não são regra na minha dieta, são momentos de prazer degustativo! Mesmo porque, se a gente comer sorvete todos os dias, ele se torna um item vulgar para o nosso paladar. Torta de chocolate no lugar do almoço parece uma troca tentadora. O problema é que além de não fornecer todos os nutrientes que uma refeição forneceria, consumido todos os dias, pode fazer engordar. Se o resto da alimentação for composta de frituras, álcool etc, aí é que não há toró de idéias que dê jeito.

Voltando ao argumento inicial, o cérebro consome em média 450 kcal por dia, o que dá 5,21 calorias/segundo para desempenhar suas funções normais _cerca de ¼ do que ingerimos. Acredito que quando estou em transe estudantil devo consumir bem mais energia. Aliás, qualquer um. Sei que há quem ache que estudar, raciocinar, pensar são verbos com uma veia aparentemente estática, chata e cansativa. Pois é, o que cansa costuma imprimir movimento para chegar nesse resultado (ou o que movimenta costuma causar cansaço?). Enfim, está tudo dentro da nossa “cachola”: o potencial de criar, manter a forma e encher o saco dos outros com nossas teorias... Isso tudo sem sair do lugar. Mas, lembre-se, o corpo também precisa de movimento. Levanta dessa cadeira e vai se exercitar um pouco!!! Um, dois, três: vaaaaai!