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domingo, 20 de dezembro de 2009



Destaca-te desse caldeirão fervente. Salta aos olhos dos que te oprimem! Beba a seiva elaborada de promessas e cuspa seus fiapos intransigentes. Seja claro em seus intentos. Ligeiro, sobe, alonga-se sobre o dorso da sua própria fibra. Seja o atalho, a liberdade e o amor!





Músculo estriado cardíaco com células uninucleadas.





Mônica Nutri- legendadora insólito-científica
Alexandre Soma-artista inato, designer e fotógrafo
Especialistas em Associação Aleatória de Ideia

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009



VACÚOLO,
o big bang, o nada, a origem de tudo, a membrana encerrada em si mesma, num desejo APOPTÓTICO de ser livre, corrosiva, libertadora! Unicelular, embora plural, EM EXPANSÃO diabólica, desmoralizante, ensurdecedora, NECROSANTE! Se delicia, mergulha NO INTERSTÍCIO amniótico maternal GELIFICADO, gelado, suculento, refrescante e infernal de ter alma acelerada e mitótica, de infeliz destino RETRÁTIL, solitário DE UM ORGANISMO DESESPERADO por amor abortado. Morte perene, inevitável morte por asfixia apaixonada orgânica.










Mônica Nutri- legendadora insólito-científica
Alexandre Soma-artista inato, designer e fotógrafo
Especialistas em Associação Aleatória de Ideias

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Via migratória rostral em bulbo olfatório alienígena.

Sombra engolidora, apetite cetáceo, sutil. Os pequenos se rendem, escorregam, deslizam para o inevitável. Síntese de luminescência linear, lanceolada, cuneforme, suficiente? Ranhuras cuticulares estancadas nos degraus que se desbotam enquanto conduzem o alimento das ideias.

Mônica Nutri- legendadora insólito-científica
Alexandre Soma-artista inato, designer e fotógrafo
Especialistas em Associação Aleatória de Ideias

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Gérmina: Esse coração pesado de pesar será mais adiante livre de fluxos sanguíneos equivocados. Sua arte vai fluir pelos olhares mais atentos e aqueles distraídos também. Vai fluir, penetrar, acontecer como uma energia de vida biofutuhumanista cardiosimbólica. Bela, imensamente bela!



Mônica Nutri- legendadora insólito-científica
Alexandre Soma- artista inato, designer e fotógrafo.
Especialistas em Associação Aleatória de Ideias.

Pinna: O que houve nesses pavilhões auriculares que eu não me surpreenderia?! Tem um caule com miócitos cardíacos com tanta vida, não por ser verde, mas por ter força. Eu não diria "adeus minha concubina", eu diria bem-vindo artista das cores a esse universo onde você não teme doar seu sentimento inteiro.



Meu irmão chama de poesia biofuturista. Eu chamo de legenda insólito-científica!

Ele desenha, fotografa, desconstrói o óbvio, é artista! Eu divago, hematopoietiso

Nosso primeiro trabalho em parceria fraterna, em exposição em SP.



sexta-feira, 27 de novembro de 2009





Se a vida passa e te engole, ofereça petiscos.

terça-feira, 24 de novembro de 2009


"Eu gosto dos que têm fome
E morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."

(Senhas-Adriana Calcanhotto)

http://www.youtube.com/watch?v=c0LW62roCl8&NR=1

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Frutos da minha infância


Ontem enquanto chupava uma laranja seleta depois do almoço, lembrei da minha infância. No pomar do quintal da minha vó tinha muita fruta. Eu achava estranha a laranja-da-terra porque só servia pra fazer doce. E vovó fazia, além de doce de abóbora e de mamão verde. Vovó chupava laranja ao longo de todo o dia. E eu seguia o exemplo. Eu pegava o cajá, colocava sal e comia. E as mangas-espada que eu comia uma meia-dúzia de uma vez, puxando a casca inteira... Fazia sacolé de abacate com leite. Chupava cana que meu pai pacientemente cortava pra nós. Provei goiaba branca e vermelha e achei aquela história de dividir fruta com minhoca meio nojenta. Comia muita banana da fruteira da vovó, elas sumiam misteriosamente.

Em Arraial, eu literalmente catava coquinho com as crianças. Andávamos pela restinga, areia muito branca e quente, arbustos verdes, rasteiros, bem separados uns dos outros. Quando algum de nós ouvia chocalho de cobra, todos corriam o mais rápido possível até a areia da praia. Ufa, estávamos a salvo. Havia uma lenda. Quando alguém sentia cheiro de coquinho maduro, ninguém podia dizer isso. Alguém com nariz mais sensível guiava os outros por meio de gestos. Quando finalmente achávamos aquele cacho com coquinhos cor de mamão corríamos pra pegar. Ele é parecido com uma pinha alongada. Os gomos eram açucarados e guardavam um coquinho dentro. Em casa quebrávamos um por um, extraíamos aquelas bolinhas brancas e no fim de tanto esforço, comíamos os coquinhos misturados com açúcar.

Na minha casa, eu comia muita manga no fim do ano. Muita gente da vizinhança ia nos pedir manga e nós distribuíamos com a maior prazer bolsas e bolsas que pareciam não terminar nunca. Era a manga mais gostosa e famosa do bairro. Chamávamos de manga-coração-de-boi. Nunca vou esquecer... Com a acerola que colhia do pé, fazia um suco delicioso. Uma vez plantei sementes de maçã no quintal e a planta cresceu tanto que meu pai teve que arrancar. Triste fim de minha macieira.Sem falar no jamelão na casa da minha amiguinha que manchava nossas roupas quando caiam feito chuva do pé. Eu não achava muito gostoso, mas adorava aquela cor roxa vibrante. Do quintal da vizinha em frente, roubávamos carambola, pois apesar de ser avó de uma das minhas amiguinhas, não nos deixava subir na árvore. A única saída para a questão era a clandestinidade. Na rua ao lado tinha amora: pretinha, docinha e fácil de carregar. A blusa esticada ia cheia pra casa.

No Natal, enquanto vovó não nos deixava comer a ceia, eu atacava as uvas passas, as ameixas suculentas e os pêssegos frescos. Comia tudo. À meia-noite, já estava feliz com tanta fruta que nem ligava pra comer mais nada. Melhor que isso, só a salada de fruta do dia seguinte que eu comia com sorvete. Doces tempos...

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Nós, equilibristas.

Todos que me conhecem sabem que sou magra, sempre fui. Mesmo com os excessos alimentares da adolescência, o máximo que ganhei de peso a mais que tenho hoje foram 4 kg. Sem as comilâncias desnecessárias, voltei ao peso que tenho até hoje. E sim, existe uma tendência na minha família ao corpo esbelto. Mas, se eu e meu irmão modificássemos nossos hábitos a ponto de nos tornarmos obesos, poderíamos transmitir esse comportamento a nossos filhos. Então, poderíamos ter filhos obesos, podendo gerar netos obesos também. E assim por diante. Porque estou falando isso? Porque algumas pessoas tem uma tendência (genética) a acumular gordura, mas todos nós podemos acumular gordura através da ingestão de alimentos além do que precisamos. E não falo só da questão do ganho de peso. A obesidade costuma trazer consigo o diabetes, a pressão alta e as doenças cardíacas, formando o conjunto da chamada “síndrome metabólica” responsável por milhões de mortes todos os anos.

Você que está lendo esse texto pode estar pensando: 1- pra quem não tem tendência a engordar é fácil falar de manter o peso e a saúde, 2- como é que a gente pode ter uma alimentação saudável em meio a tantas ofertas de alimentos ditos “não-saudáveis”? São bons questionamentos que merecem uma ótima reflexão. Falando sobre mim, fora minha herança genética, preciso deixar claro que procuro ter uma alimentação equilibrada, assim como o equilibrista se mantém sobre a corda-bamba. Apesar de não gostar de refrigerante e frituras, preciso utilizar da minha consciência a maior parte do tempo para evitar excessos e preservar minha saúde, e por tabela, meu corpo. Não é fácil. É jogar contra as propagandas de fast food, o estresse que pede um docinho, convites pra rodízios...

Um dado simples, porém importante, foi demonstrado em vários estudos com populações nativas isoladas da nossa alimentação ocidental (índios, esquimós etc): a ocorrência quase nula de doenças cardíacas, diabetes, câncer, obesidade, AVC, úlcera, apendicite ou cárie dental. Claro que essas populações tem um estilo de vida diferente das metrópoles, mas a falta de consumo de açúcar, alimentos processados e refinados e gordura em excesso parece ser a diferença alimentar que faz diferença. A oferta de alimentos que temos, antes considerada salvadora, assim como garante nossa sobrevivência, pode estar encurtando nossa expectativa de vida. Avançamos nos tratamentos médicos e retrocedemos na prevenção de doenças. Temos vacinas para muitas doenças, mas adoecemos pela alimentação.

Embora nossa vida seja na cidade, num mundo industrializado, nosso organismo ainda é programado pra guardar calorias até a próxima caça, como era nos tempos das cavernas. Como nossa caça nos aguarda nos corredores do supermercado mais próximo, pouco esforço se faz. Não digo que comer isso ou aquilo está certo ou errado, pois esses conceitos são muito subjetivos. O problema está numa combinação entre o excesso de alguns alimentos que não são necessários a nossa saúde, embora sejam saborosos, e a falta de alimentos que nos fornecem os nutrientes para a função normal do organismo. Equilibristas que precisamos ser, nossas escolhas determinam o quão longe vamos em nossas cordas-bambas de vida. Melhor que seja longe!

sábado, 17 de outubro de 2009


Sou amante do chocolate e do café. E tenho uma história de amor mal resolvida com um sorvete italiano. Pena que ando meio sem apetite...
Momento pára-choque de caminhão.


O amor é como uma viagem de ônibus para a Bahia: antes de chegar no acarajé, tem muita parada pra fazer lanchinho no caminho.

sábado, 10 de outubro de 2009

Vida aleatória: como tudo terminou na barca de 22:30.

A ideia ontem era assistir ao espetáculo de circo que está em cartaz no forte de Copacabana, se São Pedro não tivesse resolvido esvaziar sua piscina olímpica para limpeza e manutenção. Deve ter ficado empolgado com essa história de 2016. A cidade ganhou mesmo de lavada! E foi especialmente inviável sair de Botafogo pra Copacabana, ninguém andava. Nem taxista aceitava a corrida.

Por isso que gosto sempre de ter um plano B e o de ontem foi o Brasil Rural Contemporâneo. “Táááxi! Leva a gente na Marinha da Glória, por favor”. Pegamos o retorno e deixamos todo aquele engarrafamento pra trás, que alívio.

Eu nunca fui nessa feira antes, nem sabia bem o que era. Ao entrar, logo eu, dei de cara com os stands da região sul do Brasil e a operação degustação foi iniciada. Início de evento, todos tão ávidos a mostrar seus produtos e eu e Thaís tão empenhadas para prestar esse serviço tão importante. O caso mais curioso nessa região foi quando paramos para provar café e o cara que estava promovendo o produto confessou que não sabia operar a linda minicafeteira de expresso elétrica que estava no balcão. Perguntei se ele sabia a qual temperatura ela estava ajustada, porque o café estava saindo queimado e amargo demais pra um café de torra média. Eis que ele sacou o manual da máquina debaixo do balcão pra nos mostrar. Saímos de lá morrendo de rir com a promessa dele de que leria o manual pra ajustar a temperatura. Que figuraça o japa! Provamos doce e suco concentrado de uva (tudo orgânico), biscoito amanteigado, geleia de laranja com cenoura, café...

A gente ia caminhado e ouvindo coisas curiosas do tipo:

_“Onde é o RJ?”;

_ “Tá vendo aquele aquele corredor ali? Vira à esquerda, perto de Minas”.

Seguindo pelas demais regiões, degustamos cachaça, doce de leite e queijos de Minas; castanhas, mel, pequi e frutas da região norte e algumas outras coisas que não consigo lembrar agora. Foram muitas... E (claro!) compramos também. Porque corre um boato de que carioca só fica comendo e não leva. Desmentindo essa lenda, eu levei doce de leite e queijo de minas, castanha de caju (fresquinha e suculenta) coberta com chocolate, biscoito amanteigado de coco e canela e mel da Amazônia. Todos devidamente pré-aprovados.

E o que isso tudo tem a ver com a aleatoriedade da vida? Eu explico. Saímos da feira às 22h e meu irmão que vinha de SP tinha avisado que chegaria por volta das 20h. Eu que ia ao circo e chegaria tarde em casa via 996, acabei descendo na Praça XV pra pegar a barca. No caminho, meu irmão ligou perguntando onde eu estava, porque a chuva atrasou tudo e ele estava justamente na Praça XV esperando a barca. Eu cheguei na bilheteria correndo, com o sinal de fechamento da roleta berrando e consegui entrar. Ainda encontrei meu irmão no meio daquela gente toda da barca de 22:30.

Nenhum dos dois eram pra estar naquela barca. Mas a aleatoriedade da vida, pra lá nos levou...

http://portal.mda.gov.br/feira2009/

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Paladar de viajante.

Uma das melhores coisas de viajar é comer! Novas paisagens, novos sabores. Eu sou daquelas que olha a lista gastronômica local antes da viagem para ter uma noção do que vou degustar e onde encontrar os quitutes.

Neste último feriado fui a Paraty, famosa cidade histórica do estado do Rio, fazendo divisa com Sampa. Após um percurso que levou pouco mais de 4h por paisagens montanhosas que terminou beirando o litoral, eu cheguei ao meu destino com fome, pra variar. Lógico, almocei um saduichinho com água de coco às 11h da manhã! Então, deixei minha bagagem na pousada, troquei o tênis pelo chinelo e sai pelas redondezas. Como os meus outros 7 companheiros de avetura não haviam chegando ainda, fui fazer o reconhecimento territorial até mesmo para saber dos melhores lugares para comer.

Logo dei de cara com o centro histórico e comecei a perambular pelas ruas de pedras irregulares de Paraty. Fim de tarde, casinhas antigas e coloridas, lojas de artesanato e de repente encontro a rua das cafeterias. Eu e as cafeterias temos uma relação muito magnética... Escolhi o Café Blend Paraty pra começar minha viagem gastronômica. O lugar é todo em acabamento de madeira ornamentando a estrutura de pedra e o pé direito enorme do sobrado antigo. Sentei na varandinha, olhei o cardápio e pedi o sanduíche de pão ciabata, lombo canadense, catupiri, alface e tomate, acompanhando, suco de melancia. Alguns minutos depois a atendente trouxe o sanduíche todo lindo num pratinho branco retangular com o suco numa jarra de vidro. Que de-lí-cia! Valeu cada centavo.

Mais tarde, enquanto aguardava a galera, tomei um caldo de siri no restaurante Santa Rita. Eu adoro frutos do mar, o caldo estava ótimo, mas eu sempre fico enjoada no meio do prato. Isso já aconteceu uma vez quando tomei caldo de camarão. É bom, mas não consigo comer muito. Vou registrar bem isso pra só tomar caldo a partir de agora quando for um copinho.

No dia seguinte, após o café da manhã com iogurte, granola, mel, suco natural, torrada com manteiga e bolo (ufa!), partirmos para conhecer Trindade. Lugarejo lindo, cheio de gente acampando, quiosques e uma enseada extensa verde esmeralda pela qual caminhamos em rochas e trilhas até o ponto mais distante da praia. Nesse meio tempo, teve lula à dore, pastel de queijo, água de coco e afins de beira de praia. Como não encontrei opções mais saudáveis, tive que me render às iguarias locais antes da caminhada. Alimentação saudável à parte, os quitutes estavam deliciosos. À noite, carreguei todo mundo pro Café Blend pra um lanchinho. Os pães de queijo recheados, capuccinos gelados e quentes e croissants fizeram um sucesso! Mais tarde, assistimos o jogo Brasil x Argentina num restaurante de frutos do mar chamado Sabor do Mar. O suco de manga que pedi veio aguado, mas a feijoada e a caldeirada de frutos do mar estavam boas. Na verdade foi o lugar que menos gostei. Cardápio salgado no preço e apenas bom no sabor. O destaque ficou pro garçom que torcia mais pelo jogo do que atendia. Figura!

No domingo, o almoço foi improvisado no meio da visita às cachoeiras. Empada e isotônico pra tapear e suspiro pra suprir necessidades de glicose ao longo da caminhada. Depois, enquanto o pessoal se aventurou no arvorismo, eu provei o panini da dona francesa do lugar. Divina combinação de ciabata, queijo, tomate e pesto. Superbe! Fora o papo descontraído com a frrrrrancesa super simpática, falando português cheio de sotaque. Pro jantar, ficou o restaurante tailandês, onde degustamos pratos exóticos misturando camarão, curry, amêndoas, cebola roxa entre outros ingredientes. Quem pediu suavemente apimentado suou na hora de comer. Fiquei imaginado o que seria o muito apimentado... A decoração do lugar cheio de frutas, estampas de onça e flores é sensacional! Nem acredito que a gente ainda tomou sorvete antes. Destaque para o de gengibre. Todos cremosos e saborosos. My God!

No último dia, após o banho de lama no mangue, almoçamos no bar 33 onde não conseguimos ir durante todo o feriado. É o pub da cidade, música ao vivo e tal. Fizemos uma refeição padrão churrasco porque não aguentávamos mais frutos do mar. Conheci o molho argentino chimichurri (salsinha, o alho, o vinagre e o azeite de oliva), aprovadíssimo! Depois mais sorvete...

Olha, é comum sairmos da dieta quando estamos viajando e mais comum ainda termos a tendência a sentir vontade de comer mais que o habitual quando voltamos pra casa. Então, minha recomendação é: retome sua alimentação cotidiana e espere alguns dias até que o organismo se readapte. Se estiver indisposto, utilize chás, sucos naturais e alimentos com pouca gordura. É o que estou fazendo depois dessa aventura gastronômica.

Da próxima vez, acho que vou ficar mais tempo pra poder degustar sem pressa e sem sobrecarregar meu sistema digestivo.

E olha que ainda faltou metade dos restaurantes e afins pra conhecer...


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O segredo.

Lendo uma entrevista com o ator Anderson Muller descobri que ele já teve 116kg distribuídos nos seus 1,75m de altura e conseguiu perder 28 kg, permanecendo em forma até hoje (vide foto). Ele descreveu sua peregrinação entre tratamentos para emagrecimento mal-sucedidos, conseguindo a perda de peso desejada e manutenção dessa perda apenas por meio de reeducação alimentar e atividade física. Pra ele, comer bem e correr são prazeres e eternos aliados à boa saúde e boa forma.

Nessa mesma semana, pesquisadores da UNICAMP demonstraram em experimento com ratos que o exercício físico aumenta a ação antiinflamatória de uma proteína que age no hipotálamo, centro de controle do apetite no cérebro (ver postagem Neurônios Wars: a picanha contra-ataca). E daí? Vou explicar: diminuindo a inflamação dessa região do cérebro, a pessoa que deseja emagrecer fica com a apetite mais controlado, logo, come menos e emagrece com mais facilidade. Então, o exercício físico, além de queimar calorias, diminuindo os depósitos de gordura (populares pneuzinhos), aumenta a massa muscular e (tchãrãm) reduz a vontade de comer!

Sei que alguns vão se dizer “Pô, quando saio da academia, fico com uma fome desgraçada! Como é que exercício pode diminuir o apetite?”. Boa pergunta! A fome que se sente após a atividade física depende do tipo de alimentação que você tem. Há quantidades e tipos específicos de alimentos para que a atividade física seja bem aproveitada e para que você não saia faminto da academia. Os nutricionistas estão aí pra orientar quanto a isso. Mas fome após se exercitar é normal, todo mundo tem. Assim como sede, cansaço, suor... O que não ajuda é fazer uma maratona e depois passar como um furacão pela geladeira, armário de biscoito etc.

Como relatou o ator, o segredo (que não é nenhum segredo) é reeducação alimentar e atividade física, combinação bombástica pra ter um peso e uma vida saudáveis, sem ficar no ritmo da sanfona. O cérebro, o corpo e você mesmo vão agradecer.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Comer com os olhos emagrece?

Há que possa me olhar numa cafeteria fotografando meu próprio lanche e pensar: “Que coisa mais cafona ficar tirando foto de tudo...” Bom, eu não tiro foto de tudo, gosto especialmente de paisagens e comida. Poderia até dizer que sofro de um voyerismo crônica quando se trata de alimentos. Não sei se isso é só por causa da minha profissão ou se eu enxergo o que comemos como pequenas obras de arte. Arte frágil na sua estrutura orgânica deteriorável, sim. Mas irresistível!

Há preparações que são quase um Monet de comer (opa, rimou). O contraste do molho de tomate vermelho sobre a pálida macarronada, a suculência bronzeada de um frango assado, o multicolorido de uma salada de frutas ou mesmo o frescor ferdejante de uma simples alface. Essas imagens me encantam como paisagens de pôr-do-sol. Então, eu não resisto. Saco minha câmera como um fora da lei do velho oeste e antes que qualquer um possa pensar (bang!), a foto já foi tirada. Claro que depois eu saboreio sem pena o meu objeto fotográfico. Implacável!

Porque estou eu divagando sobre essa minha atividade voyerista, afinal? Eu explico. Acabei de ler uma reportagem divulgando um estudo do Instituto de Pesquisa em Psicologia e Saúde da Universidade de Utrecht, na Holanda. Os pesquisadores testaram o nosso clássico “comer com os olhos”. Selcionaram mulheres (claro!) pro teste e as dividiram em dois grupos: grupo “ver imagem de bolo de chocolate” e o “grupo observar flor”. As participantes olhavam essa imagem e depois poderiam escolher entre biscoitos de aveia ou de chocolate. Resultado: as criaturas que contemplaram a linda flor atacaram depois os biscoitos de chocolate (tédio?) e aquelas que ficaram olhando o doce numa imagem sedutora e embriagadora preferiram depois os biscoitos de aveia. Todas essas mulheres estavam sob regime de emagrecimento e parece que olhar a imagem do bolo de chocolate as fez pensar duas vezes antes de burlar a dieta.

Como esse é um resultado parcial, de um estudo isolado, não podemos afirmar que isso é verdade. Mas, na dúvida, deu uma vontade enlouquecedora de comer aquelas comidinhas engordativas que a gente tanto gosta, olha uma foto bem bonita primeiro. Vai que a vontade dá e passa? Pra auxiliar, disponibilizo as minhas fotos voyeristas nos links abaixo. E boa sorte!

http://twitpic.com/photos/Monicanutri

http://www.flickr.com/photos/41641006@N04/


segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O curioso caso da laranja-esponja

Eu já vi todo tipo de desculpa ou justificativa pra alguém comer algo que não deve sem ser recriminado. Alguns me olham numa mesa de bar e dizem “olha, eu só como batata frita no fim de semana”. Ou numa festa: “só tô comendo brigadeiro porque quase não vou a essas festinhas”. Ou então: “vou almoçar um mega-podrão na esquina porque hoje não vou jantar mesmo”. Ou ainda: “Preciso comer um chocolate senão vou ter um ataque!”. E não menos importante “Vou beber um chopp porque meu trabalho é muito estressante”. Na verdade, a gente come porque quer e gosta. Ninguém precisa de chocolate, cerveja ou hamburguer engordurado. Biologicamente falando, claro! Mas eles existem, esses ameaçadores da saúde e silhueta alheias, e às vezes parecem que foram inventados só pra nos atormentar...

Um bom exemplo disso é a feijoada. Imagina quem gosta de comer um feijão carregado e não pode porque está acima do peso ou com colesterol alto. Deve ser bem frustrante... Daí, pra resolver esse impasse, surgem receitas mirabolantes para comer a tal da feijoada, na íntegra e sem culpa. No melhor estilo “Essa eu vou comer porque é light, não tem problema”. E mesmo sem nenhuma comprovação científica dessa afirmação, o amante do dito feijão vai na fé e acredita que vai dar tudo certo. Se tão dizendo que é light, é light!

A última receita que recebi ensina a pessoa a cozinhar a feijoada com uma laranja inteira dentro, alegando que a laranja sugaria a gordura da feijoada, tornando a mesma indicada para o consumo liberado. Espera aí! Ninguém ainda estudou o quanto uma laranja, como uma sonda vasculhando as profundezas abissais de uma feijoada, pode recolher material lipídico em sua missão “panela de pressão”, resultando numa feijoada light (menos gordurosa). Talvez uma pessoa muito criativa e com tempo sobrando, olhou pra panela, pra laranja e pensou: “Porque não? Se dizem que comer laranja diminui colesterol, e se ela fosse dentro da feijoada...” Bom, vamos organizar as ideias. A laranja tem pectina, uma fibra que diminui a absorção de gordura no intestino. Mas isso não quer dizer que a laranja vai fazer isso dentro da feijoada! Encontrei um blog* que descreve esse experimento de maneira informal e não encontra diferença entre a feijoada cozida com a laranja e sem a laranja. Aliás, a “versão laranja” teve alterações de cor e aroma em relação à tradicional. Esse experimento não foi cientificamente controlado, mas já dá resultados parciais bem reveladores.

Concluindo, ou se faz uma versão light de verdade, com carnes magras ou come-se a versão tradicional da feijoada com moderação. O jeito é consultar um Nutricionista para iniciar as negociações! Que vença a melhor opção pro seu paladar e pra sua saúde!


*http://come-se.blogspot.com/2009/01/laranja-rouba-gordura-da-feijoada-mito.html



Nota sobre prazer de comer 2

Se fosse me atribuir um pecado, inventaria uma categoria nova: a degustação luxuriosa. Seria como “fazer sexo sem o objetivo de procriação” aplicada ao ato de comer, porque meu paladar é promíscuo e aventureiro por natureza.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

"Felicidade na vida é planejar o seu dia em função das refeições que você vai fazer."


*Pérola da minha amiga Carol.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Neurônios Wars: a picanha contra-ataca.

Hipotálamo, palavra estranha para dar nome a uma estrutura na parte central do nosso cérebro que controla a nossa fome, o dito controle de saciedade. Você já comeu o suficiente? Ele manda sinal pra você parar. Comeu menos do que precisa? Ele sinaliza pra que você continue comendo até que ele avise que já é suficiente. Simples assim? Não! Existem muito fatores entre o parar e o continuar comendo. Além do apelo dos alimentos_ como chocolate, uma fatia de torta ou um sacão de pipoca com manteiga_ que desempenham um efeito emocional poderoso em nós, vítimas famintas, há um mundo pouco conhecido de fatores biológicos envolvidos.

Recentemente, pesquisadores da UNICAMP concluíram um estudo mostrando que uma dieta rica em gordura saturada_ aquela das frituras, da linguiça, da picanha..._ gera um processo de inflamação que ataca o hipotálamo, provoca a morte de neurônios importantes, prejudicando o controle do apetite. Após a morte desses neurônios, mesmo com o consumo de uma dieta equilibrada, a perda de peso fica prejudicada. Em outras palavras, comer muita gordura saturada além de engordar, faz com que o indivíduo tenha dificuldades em emagrecer. Isso ocorre porque o apetite fica fora do controle do cérebro.

No mesmo estudo, os pesquisadores observaram que o consumo de azeite (gordura monoinsaturada) protege o hipotálamo e contribui para o emagrecimento. O indivíduo que come mais azeite que fritura, além de não tender a engordar, tem mais facilidade pra emagrecer.

Essa pesquisa foi inédita e importante para ajudar a entender porque algumas pessoas que sofrem de obesidade, mesmo sob orientação especializada, não conseguem a perda de peso desejada. Já se cogita, inclusive, no futuro, uma terapia com células-tronco para regenerar o hipotálamo como uma forma de curar a obesidade.

Por hora, vai bem investir no azeite, dá uma maneirada nas frituras e picanhas da vida e aguardar as novidades científicas.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A dieta do adelgaçamento

Não se anime tanto. Eu não criei uma dieta nova, revolucionária e milagrosa que faz você perder 10 kg até a festa que você precisa ir no fim de semana. Tão pouco esta dieta é baseada em proteínas, exclui os pobres carboidratos, segue as fases da lua, obriga você a se entupir de sopa, barras de cereal, shakes ou sugere que você se alimente da mesma forma que Jesus Cristo. Na verdade, esta dieta considera a sua individualidade: o que você precisa comer, quanto, quantas vezes ao dia. Esta dieta é recomendada por Nutricionistas, seres dotados de informação suficiente pra te orientar quanto ao significado da palavra dieta_ um nome genérico para alimentação_ que tem sido muito mal usada como sinônimo de regime-maluco-que-emagrece-e-esculhamba-sua saúde.
Na verdade, a misteriosa dieta do adelgaçamento é apenas a forma pela qual os portugueses chamam nossa dieta de emagrecimento: nome genérico para orientação nutricional que objetiva perda de peso com ganho de saúde. Porque esse dois fatores não podem andar separados. E tem muita gente investindo na separação deles. Isso não pooooode!!!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Financier: um ilustre desconhecido.

Não me recordo da primeira vez que comi um financier. Posso garantir que foi numa das cafeterias que costumo frequentar. Ele veio no pires acompanhando o café que eu pedi. Eu sei que olhei pro bolinho e até achei meio sem graça. Mas foi só provar para me apaixonar perdidamente. Eu não sabia explicar o que havia de tão especial. Eu sequer conseguia supor do que era feito. Eu chamei o atendente e perguntei “tem desse grande?”. Ele disse não e se foi. Fiquei triste. Quase pedi outro café só pra ganhar outro bolinho. Me contive. E essa cena se repetiu algumas vezes até a última sexta-feira.

Pra variar, chamei amigas pra conhecer uma cafeteria nova. Eu a descobri na semana anterior e achei os doces tão lindos que valia à pena conferir se também eram gostosos. Pra começar pedi um cappucino e voilà!, eis que me aparece no pires o meu querido bolinho desconhecido. Não perdi tempo e perguntei “tem desse grande?”. O simpático atendente me pediu pra aguardar e sumiu por alguns instantes. De repente voltou com uma caixa em mãos. Peguei a caixa dele e com uma alegria infantil fiquei admirando as fileiras dos meus adoráveis (adoro esse adjetivo!) desconhecidos. Atrás da caixa, enfim, descobri o nome: financier. São feitos basicamente de manteiga e farinha de amêndoas. Sabia que era algo desse tipo! Eu adoro amêndoas! Nem preciso dizer que comprei a caixa, né?

Pra terminar de satisfazer minha curiosidade, fiz meu trabalho: pesquisei. Lógico, um bolinho com um nome tão curioso e tão saboroso tinha que ser investigado. Então, os financier têm origem francesa _como o nome já faz supor_ e eram vendidos na região da bolsa de valores de Paris, originalmente. A clientela: ricos executivos da Bolsa. Investidores.

Ainda bem que os financier se popularizaram e hoje em dia, uma modesta nutricionista brasileira pode desfrutar do prazer de degustá-los enquanto curte um cafezinho com as amigas. Nem preciso ir à Paris pra isso... Se bem que, eu não acharia ruim fazer o mesmo às margens do Senna. Un jour, je serai là!



quarta-feira, 27 de maio de 2009

A recompensa de comer

Segundo a neurociência, os prazeres estão relacionados ao sistema de recompensa do cérebro. Ele funciona mais ou menos assim: (1) você vivencia a expectativa de comer um pedaço de bolo, por exemplo. Sente o cheirinho dele saindo do forno, lembra do sabor que ele tem (ou imagina), estabelece contato visual, aprecia sua cor dourada, brilhante e experimenta uma ansiedade deliciosa no intervalo de tempo entre ele ser posto no prato e chegar até a sua boca. Imagina aquele vapor quente, o aroma do seu bolo de laranja preferido fazendo você voltar à infância, a maciez dele desmanchando na sua boca misturado ao café quentinho recém-passado... Todos esses prazeres costumam ser chamados de estado de estresse que antecede à recompensa. Um tipo de estresse ao qual costumamos fazer questão de nos submeter. (2) o ato de comer o bolo, aparentemente, constitui o objetivo, mas, na verdade, é um meio para se obter o prazer desejado. Em se tratando de prazer, nosso cérebro costuma nos convencer de que os fins justificam os meios. Apesar de sabermos que um pedaço de bolo é um alimento que por si só representa fonte de nutrientes e faz parte de um conjunto que nos permite viver. (3) a recompensa em si, o prazer de saborear o tal bolo_ relativo a sabor e aroma, a parte química da coisa e todas as memórias afetivas relacionadas a este ato_ chega para nos lembrar que valeu à pena esperar o bolo ficar pronto ou sair para compra-lo ou parar naquela cafeteria para degusta-lo com um amigo. O prazer te convence de que seu investimento trouxe um delicioso retorno e que é muito provável que você repita esse processo todo muitas outras vezes.

Certo. E porque estou falando disso afinal? Eu já respondo. Aliás, devo confessar que estou utilizando achados científicos para defender o meu argumento em relação ao ato de degustar. Segundo as definições tradicionais, degustar significa tomar o gosto de algo ou provar. Eu diria que é uma das etapas mais interessantes dos nossos momentos de comer. O tal bolo de laranja quentinho ou uma banana madura devem ser apreciados em suas qualidades. É muito comum nos preocuparmos com a alimentação das crianças, porque elas devem provar todos os alimentos para saber o que gostam ou não, para terem melhores hábitos alimentares... E nós, adultos? Depois que crescemos, comer deve se tornar um comportamento automático, um compromisso com hora marcada ou uma válvula de escape para os nossos momentos de tensão? Creio que os alimentos devem receber sua devida atenção. Nem que você tenha apenas 5 minutos pra comer seu pedaço de bolo. Procure concentrar-se nele, no sabor, na textura dele quando desmancha na sua boca, porque se você não presta atenção na sua recompensa, como seu cérebro vai saber quando parar? Ou se você está satisfeito? Já reparou que se comer assistindo TV, você devora um pacote inteiro de biscoito sem perceber? É capaz de nem saber responder se alguém te perguntar de que sabor era. Então, será mesmo preciso uma caixa de bombom inteira pra satisfazer seu desejo de comer bombom? Ou o que te impulsiona a comer esses bombons não é exatamente o prazer de saboreá-lo (sentir o sabor!)? Em situações normais, nas quais a pessoa não possui nenhum problema relacionado a distúrbios alimentares (bulimia, transtorno do comer compulsivo, etc), o ato de investir na degustação de uma simples fatia de abacaxi, que seja, gera um prazer suficiente para que, no máximo, se deseje comer mais uma. E mesmo que dê vontade de comer o abacaxi inteiro, você pode escolher entre fazer isso ou não. Se você estivesse comendo o abacaxi a assistindo TV ao mesmo tempo talvez não tivesse essa escolha...


segunda-feira, 25 de maio de 2009

O amor é como café: ninguém gosta que seja morno. Mas tem uma temperatura certa. Menos quente não tem gosto e quente demais, amarga e queima.

Melhor mesmo que seja gourmet!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sou uma célula.

Sou uma célula com suas organelas produzindo energia para a vida. E como célula evoluída que sou, interajo com outras. Afinal, o que seria de mim sozinha, flutuando por aí neste interstício inóspito? Seria fagocitada, provavelmente! As unidades vivas que permanecem próximas tocam minha membrana e formam ligações estáveis pelas quais trocamos sinais químicos filosóficos sobre nossa existência tão diminuta. Sabemos que o todo é grande à beça e que a correnteza é forte quando ficamos perdidas nos vacúolos do caminho. Maaaas, podemos contar umas com as outras. Isso sustenta, dá força! Formamos um retículo bem tecido e dinâmico no qual mantemos a fluidez, mesmo quando isso não parece possível.

A beleza de ser célula está no fato de saber que não estou só. E por isso, agradeço a cada uma das que compartilham comigo suas pequenas existências, entrelaçando seus pseudópodos com os meus, mantendo essa linda troca de amor constante, pulsante! Estarei sempre aqui com receptores sensitivos ligados em suas dores e alegrias, pronta pra fazer parte de cada micropartícula de momento.
Teoria da aglomeração.

Segundo a termodinâmica, quando os corpos se aglomeram ocorre troca de energia e uma tendência ao equilíbrio térmico. Uma irmandade de calor. Quanto mais juntinhos, mais quentinho fica, essa é a lógica. Se pensarmos em elétrons, isso faz sentido. Eles não pensam, eles são partículas de energia à disposição do ambiente, do cosmos. Mas quanto a nós, seres humanos evoluídos, civilizados e dotados de racionalidade. Por que diabos tendemos a nos aglomerar de maneira inconsciente? Somos seguidores da seita Termodinâmica Universal? Ou somos mesmo um punhado de energia bem organizada e metida a besta? Vai dizer que você nunca reparou que quando pára alguém no corredor do shopping pra olhar uma vitrine, logo outras pessoas vão parando e forma-se a famosa aterosclerose das compras? O caminho entope, não passa mais ninguém. Até que vem uma criatura zen paciência e faz strike. E partículas voam pra todo lado. O fluxo segue aleatório. E em stand de vendas! Está lá o vendedor contando as horas pro fim do expediente, nada pra fazer... Basta uma pessoa parar pra olhar, pronto, em minutos forma-se um aglomerado que o sujeito mal dá conta. E muito menos entende como tudo aconteceu tão de repente. E na rua! Alguém pára pra comprar uma pipoca. Outro pára logo ao lado pra conversar com o amigo. Alguém abaixa pra amarrar o sapato. Pronto, uma aterosclerose de calçada é formada. Ninguém passa. Ou você acha que só colesterol entope artéria? Não!!! Nós também enfartamos as vias públicas com nossa tendência a formar montinhos. O curioso é que, após um curto tempo, com duração específica, o bololô se dissipa. As pessoas evaporam e liberam a passagem. Como se alguém anunciasse “Todos na mesma temperatura? E a galera: siiiiim! Mesma vibe? Siiiim! Podemos seguir, então. Vaaai!“. E seguem pra formar outros aglomerados por aí.
Agora, me digam a verdade. Somos ou não somos um bando de elétrons perdidos a procura de um estado de troca/conservação de energia eficiente? Somos eletrostáticos-dinâmicos, creio eu. O que me assusta é a gente achar que pára na frente da loja porque gostou da roupa na vitrine... Pobres elétrons inocentes.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A história do figo


Hoje fiquei comovida. Ainda não tinha opinião formada sobre o figo. Fora o fato de associá-lo aos nossos patrícios colonizadores e achar a fruta um tanto desafortunada na questão estética, de resto, nada tinha a comentar. Mas ao saber que, na verdade, ele é uma flor que não teve tempo de abrir, eu olhei o figo com mais carinho. Pobre figo. Ou seria, pobre flor? Um fruto com crise de identidade. Uma flor interrompida. Que conflituosa, uma vida como essa! E ninguém se importa. A gente pega o figo, come e pronto. Fim da história. Sem happy end. Pelo menos não pra ele.

Nota sobre prazer de comer

Estava eu, noutro dia, falando sobre o prazer de degustar, sentindo a textura dos alimentos, as nuances de sabores, divagando na maionese como de hábito. Então, ouço um par de sujeitos homens dizerem “Prazer é quando a comida é suficiente pra manter a boca cheia”. Simples e tosco assim. Vida que segue...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

A morte do besouro.

Taíssa conversa sobre a vida, as dúvidas... O sol de fim de tarde passa através da mureta vazada da varanda. Taíssa olha pro lado. Ela vê um besouro enorme de armadura negra. O bicho pouco se mexe. Como uma cuia, expõe o ventre ao céu. Taíssa se compadece. Larga sobre a mureta os restos da laranja lima chupada. Caminha até o besouro e resolve desvirá-lo e expô-lo ao sol. De pé, imóvel e iluminado, ele não parece natural. Talvez houvesse um motivo pra ele estar daquele jeito... Talvez esteja sofrendo mais agora. Taíssa decide devolvê-lo sua posição original. Se o fim é inevitável, melhor que seja digno. Ao que parece ser... Taíssa ficou pensando no besouro e nas escolhas. Pensou na vida de novo e continuou confusa. Mas na manhã seguinte, não foi à varanda pra ver o besouro. Ela ainda não sabe o que é melhor pra ele. Tudo permanece igual. Ela, as escolhas e as dúvidas seguem adiante.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Ativista da ciência



Assisti ao filme que deu o Oscar de melhor ator a Sean Penn esse ano e, diga-se de passagem, ele mereceu. Milk trata da história de vida e de luta de um homem que decidiu não se conformar com a discriminação a sua preferência sexual nos EUA da década de 70. É comovente assistir sua devoção em favor do que ele acreditava ser justo. Do momento em que ele se reconhece como um ativista até suas conquistas mais importantes, o expectador conhece todo o mecanismo político que se desenrola por trás disso. Assistimos como é que alguém partindo do zero, em condições precárias, sem remuneração e com muita força de vontade consegue atingir sua meta. E como é difícil.

Nesse momento, meu cérebro fez uma associação inusitada e eu me descobri uma ativista da ciência, pois como aqueles retratados no filme, eu e muitas outras pessoas engajadas na causa da ciência trabalham muito sem remuneração e precisam ser persistentes ao extremo para não desistirem. Não sei como funciona no resto do mundo, mas aqui no Brasil quem se propõe a trabalhar com pesquisa precisa de muito mais do que vocação. Como a educação e a pesquisa caminham juntas, não é de se estranhar que o trabalho dos pesquisadores não seja valorizado. Sobretudo os iniciantes. Existe um costume que precisa ser mudando: o de esperar que o trabalho de pesquisa seja algo feito de graça por puro amor à causa. Quando se trata de uma questão profissional na qual se envolve ganhar e se sustentar, não se pode fingir que o trabalho do pesquisador é coisa pra gente que não tem o que fazer, porque a pesquisa não é algo supérfluo. Tudo que temos e todos os maravilhosos avanços que presenciamos diariamente são frutos de pesquisa ou se iniciam nela. Então, que fique claro que jaleco não é hábito eclesiástico e que pesquisar não é renunciar a vida em sociedade, é contribuir para que essa seja sempre melhor. E pra isso, nós pesquisadores precisamos ser devidamente remunerados sempre, desde o aluno de iniciação científica, mestrando, doutorando...

Enquanto as engrenagens do mundo científico não refletem os avanços extraordinários da ciência, seguimos panfletando pela valorização da nossa atividade. Quem sabe a gente chega lá...

domingo, 15 de março de 2009

Fome de presença

Concordo com a Clarisse Lispector quando ela diz que a fome de presença é a mais insuportável. A barriga não “ronca”, a pressão não baixa, mas fica um igual vazio. Falta um recheio açucarado, uma pimenta, um sal... Imagina se for a presença de alguém que você não conhece ainda... Você nunca se sacia, nunca se encerra a sua jornada de degustador do mundo. Se há uma dinâmica caótica onde buscamos resultantes através de variáveis que denotam uma certa insensatez, embora nos conduza para nós mesmos, não sei... No fundo, essa fome é uma busca por espelhos que nos digam como somos lindos e especiais, mesmo quando não é dito. O vidro aparentando rigidez, na verdade é fluído de uma maneira peculiar e pouco compreendida. Há dias em que a folha espelhada nos revela como monstros primitivos com um olhar cruel e egoísta. Nem sempre estamos bem humorados... Há dias para sermos a manifestação humana de Zeus, tão irresistíveis como um dia de sol à beira mar. E tantos são os dias de normalidade nos quais somos um pouco de tudo isso. Quem resiste à fome de alguém como testemunha? Alguém que chegue tão perto a ponto de arriscar se ferir nos nossos defeitos para depois se curar nas nossas virtudes...

terça-feira, 10 de março de 2009

Da água para a água.


Lá da sopa inicial de todos os tempos, onde átomos sem rumo na vida, vadios, resolveram fazer ligações covalentes muitos suspeitas e... Esse monte de carbono junto foi criando a nossa existência orgânica. Essa água aí que é desperdiçada e rebaixada todos os dias à categoria de líquido sem gosto, sem graça e sem função de embebedamento, quem diria, é um solvente universal! Boniiiito! Ela está em todos os lugares. Onipresente como uma deusa fluída que atende a todas as exigências do nosso mundo tão físico-químico. Diz um amigo meu que ela é perfeita. Se encaixa em qualquer meio, super popular, badalada... Somos, em síntese, um apanhado de água viscosa e nutritiva muito bem arranjada. Pelo menos o suficiente para nos permitir conter funções incríveis como ter o coração batendo o tempo todo sem que precisemos pensar sobre isso. Aliás, pensar sempre foi nosso maior problema, além de ser uma das nossas maiores virtudes. Porque, melhor que raciocinar é utilizar nosso cérebro para coordenar sentidos e desfrutar dos sabores mais divinos! Está a água ali na saliva misturando o que comemos, espalhando partículas numa sincronia admirável para que cada receptor reconheça os sabores e cheiros que o cérebro vai julgar: bom ou ruim, amargo, salgado, doce, parecido com o bolo daquela cafeteria... A água dilui, digere, absorve, circula, devolve, transpira, chora, espirra, nada...

A origem da vida, dizem, foi na água. Penso que até hoje é assim. Quando somos pequenos, bem pequenos, cerca de 8 células, já somos feitos de água e mergulhados nela. Flutuamos por muitos meses e depois ela nos expulsa pra secura do mundo. Aí, vez ou outra, a gente volta de teimosos que somos. Mesmo nos faltando ar, mesmo nos enrugando a pele, somos muito felizes na água. Tipo uma aula de natação. O silêncio, a leveza, o ritmo da água nos devolve as nossas origens de destemidas partículas flutuantes aleatórias e felizes.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Entre o trigo e o milho há um mar de glúten.

 

Contém glúten. Não contém glúten. Aposto que todos já leram isso numa embalagem de alimento. Além de não ser tolerado pelo sistema digestório de algumas pessoas (celíacos), o que é que os alimentos com glúten (trigo, aveia, centeio e cevada) fazem que os outros (arroz, milho, batata e mandioca) não fazem?

Bem, se essa conversa for parar na cozinha e você tiver uma vontade súbita de aproveitar umas batatas largadas na geladeira pra fazer um nhoque (ou inhoque, ou gnocchi), saber essa resposta faz diferença. Principalmente se você descobrir que não tem farinha de trigo e achar uma caixa de amido de milho* perdida no armário. Se a farinha de trigo e o amido de milho são tão parecidos, será que você poderia trocar um pelo outro e ficaria tudo certo? Não é tão simples assim. Como eu costumo recorrer às receitas, mesmo que seja só pra conferir o modo de preparo, me dei conta que o nhoque com farinha de trigo só leva trigo e batata, enquanto o nhoque com amido de milho leva, além da batata e do amido, ovo e manteiga. Fiquei intrigada com a diferença e tentei lembrar o motivo, extraindo química de alimentos das profundezas da minha memória. Em alguns minutos desvendei o mistério perguntando pra minha amiga-química-de-alimentos sobre o caso. A mesma preguiça que me impediu de ir ao mercado comprar farinha de trigo me fez tirar a dúvida com ela. Em ambos os casos, a preguiça economizou tempo, me forçou ao improviso e resultou em novos conhecimentos.

Voltando ao recheio da questão, a diferença está nas propriedades elásticas do glúten. Segunda minha amiga, o glúten forma uma estrutura protéica viscoelástica (que bonito!).  O trigo, que contém glúten, acaba desempenhando a função do ovo e da manteiga (sustenta a massa, atribuindo elasticidade e maciez). Daí a importância do famoso glúten.

No fim das contas, eu fiz o nhoque com amido de milho, batata, margarina e ovo. As bolinhas ficaram mais firmes e lustrosas, digamos assim, que na versão original com trigo. É possível sentir um pouquinho do gosto do amido, mas eu achei bom mesmo assim. Tudo vai depender também do molho, acompanhamento... Com glúten ou sem glúten, o importante é ficar gostoso! E “cair” bem, claro!

 

*pra quem não sabe, amido de milho é maisena. Ou maisena é amido de milho. Whatever...

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Pensar emagrece?


Não importa se eu estou sozinha ou se há gente andando pela casa. Se há baralho ou o mais completo silêncio da madrugada. Se eu estiver concentrada, é como se o mundo estivesse deixado de existir. Uma redoma invisível e com isolamento acústico me protege de qualquer coisa que possa atrair a minha atenção. Isso é curioso, porque eu costumo me distrair com certa facilidade, prestando atenção nos detalhes de uma imagem ou reproduzindo mentalmente o que está sendo dito na TV (dã). Talvez seja por isso que as idéias mais doidas surjam com uma certa freqüência na minha cabeça... Costumo dizer que sou especialista em Associação Aleatória, uma característica essencial no processo criativo, seja pra escrever, ou para fazer um trocadilho no momento certo para que todos dêem risadas numa mesa de bar.

Fora o meu funcionamento cerebral randômico, já reparei outra coisa interessante: pensar emagrece! Quando mergulho no meu universo de pensamentos abissais, meus neurônios utilizam tanta energia quanto aqueles seres fluorescentes das profundezas do oceano. Em um período relativamente curto de raciocínio encadeado em prol da solução de algum dilema científico, o resultado costuma ser solução ou não somada a muita fome. Uma fome instantânea como se eu tivesse acabado de voltar da academia. Em geral, quando minhas idéias estão pulsando e interessantes, não quero nem parar pra comer, mas chega um momento que, ou eu como algo, ou não consigo mais pensar. “Droga! Vou ter que anotar isso e fazer depois do lanche.” Eu compreendo aquelas pessoas que estão tão concentradas que pegam o lanche e comem enquanto estão pensando. Aí é que está o perigo!

Quando me formei, me descreveram como a pessoa da turma que mais seguia os preceitos de alimentação saudável. É verdade. Em geral, como o necessário pra minha sobrevivência em termos calóricos e de nutrientes (amo frutas!), embora adore alimentos ditos “engordativos” como chocolate e sorvete. Eles não são regra na minha dieta, são momentos de prazer degustativo! Mesmo porque, se a gente comer sorvete todos os dias, ele se torna um item vulgar para o nosso paladar. Torta de chocolate no lugar do almoço parece uma troca tentadora. O problema é que além de não fornecer todos os nutrientes que uma refeição forneceria, consumido todos os dias, pode fazer engordar. Se o resto da alimentação for composta de frituras, álcool etc, aí é que não há toró de idéias que dê jeito.

Voltando ao argumento inicial, o cérebro consome em média 450 kcal por dia, o que dá 5,21 calorias/segundo para desempenhar suas funções normais _cerca de ¼ do que ingerimos. Acredito que quando estou em transe estudantil devo consumir bem mais energia. Aliás, qualquer um. Sei que há quem ache que estudar, raciocinar, pensar são verbos com uma veia aparentemente estática, chata e cansativa. Pois é, o que cansa costuma imprimir movimento para chegar nesse resultado (ou o que movimenta costuma causar cansaço?). Enfim, está tudo dentro da nossa “cachola”: o potencial de criar, manter a forma e encher o saco dos outros com nossas teorias... Isso tudo sem sair do lugar. Mas, lembre-se, o corpo também precisa de movimento. Levanta dessa cadeira e vai se exercitar um pouco!!! Um, dois, três: vaaaaai!