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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Como formiga.

Emotivo: aquele motivado pela emoção! Não um radical viciado em adrenalina. Não um deprimido levado por ilusões. Emotivo! Talento de sentir e saber expressar, sem medo de vasculhar o fundo das coisas e virá-las do avesso. Não há lado certo. Há o lado que nos ensinaram a esconder. E aquele cuja face somos incentivados a mostrar. Veja a liberdade implícita nisso! O emotivo vive como formiga carregando os sentidos de um lado pro outro. Sabe aquela folhinha passando, caminhando no chão? Aquela que ninguém dá importância? É a emoção num monte de idas e vindas, ajudando a alimentar um formigueiro inteiro. Porque a vida alimentada continua.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008


Cedo, cedo não é. Mas é cedo.

Rotina de exercícios. Acordo cedo. Tá bom, 7h não é tão cedo quanto 6h ou 5h da manhã _ai que aflição_, mas pra mim é cedo. Já consigo desempenhar funções básicas de relacionamento interpessoal como abrir os olhos, caminhar com um certo equilíbrio e articular frases simples do tipo “Acabou o leite?” ou “Bom dia” _ essa é fácil, já está programada pra ser reproduzida automaticamente. Qualquer pergunta mais complexa faz travar meu sistema de resposta. Imagina uma pessoa, tão cedo, querer saber o que vou fazer à noite! Ainda estou tentando entender o que é essa luz entrando pela minha janela e me cegando. Posso também desempenhar outras funções básicas como deglutir o pão e o café com leite e escovar os dentes. Da mesma maneira, tomar banho se enquadra na categoria atividades-rotineiras-em-que-não-preciso-pensar-pra-fazer.Assim que me livro, em parte, do meu estado de bebum não alcoolizada, saio pra me exercitar. Andar não exige muito raciocínio e concentração. Você simplesmente sai andando. Dia lindo, não há nuvens, não há chuva, nem sombras ou o mínimo de brisa marítima. O verão está chegando, para meu desespero. Calor, suor, sede. Prefiro exercícios ao ar livre. Caminhada na beira da praia ou nadar numa boa piscina. Acho que tenho uma coisa com água... Só de pensar numa academia com todos aqueles pesos assustadores, pessoas suando horrores, espelhos pra todo lado, aquele ambiente opressor onde não se ouve nada, por que a música é alta e lobotomisante demais. Deixa pra lá. Como diz uma amiga minha “É pagar pra sofrer”. A caminhada vai bem. Gente pescando na orla, gente correndo. Uns pra manter a forma, outros pra tentar encontrá-la. Há os que parecem ter prazer se exercitando e os que parecem estar se penitenciando. Cada um sabe o que faz... Eu percorro o trecho programado_ eu não, meu corpo_ sendo levada por pensamentos aleatórios e, por vezes, falhos. Acho que é meu cérebro tentando engatar a primeira... Sou capaz de lembrar de uma música qualquer e cantá-la mentalmente sem parar _ olha o motor esquentando! O problema é quando percebo que estou mexendo os lábios, porque alguém passou e me olha com estranhamento. Bom, devo admitir que não é muito normal ficar falando sozinha pela rua. Então, finjo estar alongando os músculos da face. Na volta, o mundo começa a fazer mais sentido. Próximo das 9h da manhã, minha mente começa a funcionar de verdade. Lembro que aquela claridade na minha janela era o sol, velho conhecido, que costuma sumir no fim de semana, pra desespero geral. Tenho a noção de que esse calor excessivo não é um sonho ruim. Ele veio pra ficar, pelo menos, pelos próximos 4-5 meses. O meu destino vai ser suar e minha pele vai produzir óleo em escala industrial. Isso que dá não ter sido projetada pros trópicos. Acho que seria uma boa esquimó... Clima à parte, o fato de eu não existir como indivíduo pensante antes das 9h da manhã não faz de mim uma preguiçosa. A cronobiologia* indica que sou uma criatura vespertina (eu fiz o teste!). Sou super ativa do período do fim da tarde para a noite. Cada um é do seu jeito! Portanto, lanço aqui uma campanha em defesa do respeito ao ritmo biológico de cada um! Todos nós somos bons em algo diferente. Porque não, num horário diferente?*cronobiologia: ciência que estuda os ritmos e os fenômenos físicos e bioquímicos periódicos que ocorrem nos seres vivos.

Rotina de exercícios. Acordo cedo. Tá bom, 7h não é tão cedo quanto 6h ou 5h da manhã _ai que aflição_, mas pra mim é cedo. Já consigo desempenhar funções básicas de relacionamento interpessoal como abrir os olhos, caminhar com um certo equilíbrio e articular frases simples do tipo “Acabou o leite?” ou “Bom dia” _ essa é fácil, já está programada pra ser reproduzida automaticamente. Qualquer pergunta mais complexa faz travar meu sistema de resposta. Imagina uma pessoa, tão cedo, querer saber o que vou fazer à noite! Ainda estou tentando entender o que é essa luz entrando pela minha janela e me cegando. Posso também desempenhar outras funções básicas como deglutir o pão e o café com leite e escovar os dentes. Da mesma maneira, tomar banho se enquadra na categoria atividades-rotineiras-em-que-não-preciso-pensar-pra-fazer.Assim que me livro, em parte, do meu estado de bebum não alcoolizada, saio pra me exercitar. Andar não exige muito raciocínio e concentração. Você simplesmente sai andando.

Dia lindo, não há nuvens, não há chuva, nem sombras ou o mínimo de brisa marítima. O verão está chegando, para meu desespero. Calor, suor, sede.

Prefiro exercícios ao ar livre. Caminhada na beira da praia ou nadar numa boa piscina. Acho que tenho uma coisa com água... Só de pensar numa academia com todos aqueles pesos assustadores, pessoas suando horrores, espelhos pra todo lado, aquele ambiente opressor onde não se ouve nada, por que a música é alta e lobotomisante demais. Deixa pra lá. Como diz uma amiga minha “É pagar pra sofrer”.

A caminhada vai bem. Gente pescando na orla, gente correndo. Uns pra manter a forma, outros pra tentar encontrá-la. Há os que parecem ter prazer se exercitando e os que parecem estar se penitenciando. Cada um sabe o que faz... Eu percorro o trecho programado_ eu não, meu corpo_ sendo levada por pensamentos aleatórios e, por vezes, falhos. Acho que é meu cérebro tentando engatar a primeira... Sou capaz de lembrar de uma música qualquer e cantá-la mentalmente sem parar _ olha o motor esquentando! O problema é quando percebo que estou mexendo os lábios, porque alguém passou e me olha com estranhamento. Bom, devo admitir que não é muito normal ficar falando sozinha pela rua. Então, finjo estar alongando os músculos da face.

Na volta, o mundo começa a fazer mais sentido. Próximo das 9h da manhã, minha mente começa a funcionar de verdade. Lembro que aquela claridade na minha janela era o sol, velho conhecido, que costuma sumir no fim de semana, pra desespero geral. Tenho a noção de que esse calor excessivo não é um sonho ruim. Ele veio pra ficar, pelo menos, pelos próximos 4-5 meses. O meu destino vai ser suar e minha pele vai produzir óleo em escala industrial. Isso que dá não ter sido projetada pros trópicos. Acho que seria uma boa esquimó...

Clima à parte, o fato de eu não existir como indivíduo pensante antes das 9h da manhã não faz de mim uma preguiçosa. A cronobiologia* indica que sou uma criatura vespertina (eu fiz o teste!). Sou super ativa do período do fim da tarde para a noite. Cada um é do seu jeito! Portanto, lanço aqui uma campanha em defesa do respeito ao ritmo biológico de cada um! Todos nós somos bons em algo diferente. Porque não, num horário diferente?


*cronobiologia: ciência que estuda os ritmos e os fenômenos físicos e bioquímicos periódicos que ocorrem nos seres vivos.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Mestre Miyagi que me desculpe.


Quem me conhece sabe das minhas preferências culinárias. E sabe que eu tenho uma queda Grand Canyon por comida italiana, além do prazer embrionário de degustar a nossa deliciosa comida brasileira. Por outro lado, é bem conhecida também a minha inclinação Torre de Pisa para provar pratos novos. A clássica viagem gastronômica rumo ao desconhecido. Como tudo na vida, esse tipo de tendência pode levar a resultados bons ou desagradáveis...

Noutro dia, resolvi me aventurar no misterioso universo do molho shoyo e do peixe cru. Pasmem, queridos amigos, eu fui a um restaurante japonês!

Fora o fato de termos esperado 1h pra comer numa versão mais econômica e acabado num restaurante caro por uma questão de sobrevivência_ a fome já superava a dor do rombo na conta bancária_ de resto, foi tudo bem. O que a gente não faz pra comemorar o aniversário de um amigo... E choveu muuuuito! O mais estranho foi o temporal ter caído quando chegamos no primeiro restaurante. Como se algo nos dissesse que nosso lugar não era ali.

Já no restaurante mais caro, bem acomodados numa mesa ampla para as 9 pessoas do grupo, agarramos os cardápios com gestos quase desesperados. Eu pedi um suco de laranja pra recuperar minha glicemia e poder degustar o jantar sem parecer uma famita que não tem comida em casa. Eu sei que não é a bebida mais apropriada pra um restaurante japonês, mas, quem disse que eu sou a cliente mais apropriada pra eles?

Logo, os garçons chegaram trazendo pequenas travessas com toalhinhas em rolos ferventes. Esperei pra ver o que os outros fariam, afinal, metade da mesa era apreciadora daquela culinária. Tinha até uma pessoa que sabia japonês! Que chique! Descobri que a tal toalhinha era pra limpar as mãos. Adorei! O tempo estava ficando frio e ela estava tão quentinha... Assim que começamos a fazer os pedidos_ eu pedi a única coisa que conhecia: o tempurá_ os garçons começaram a trazer vasilhames retangulares e irregulares, como se fossem feitos à mão. Eles dispunham dois diante de cada um de nós e eu não fazia idéia do que fazer com eles. Copiando o comportamento dos entendidos, despejei o molho shoyo na travessa menor e utilizei a maior como prato. Logo chegaram os palitinhos_ desculpe-me, os hashis_ e eu me perguntei se conseguiria manusear aquilo sem me sujar toda de shoyo.

Posso dizer que provei praticamente tudo que veio à mesa, numa mistura de curiosidade e fome. Aliás, nada sobrevivia na nossa mesa. Até enfeite de prato_ daqueles com folhinhas verdes e brotinhos_ o pessoal comia. Os garçons nos olhavam com certo espanto. Devem ter pensado: “Bando de mortos de fome”.

Bom, como pontos altos da noite eu destacaria o tempurá, lógico (eu já sabia!); o rolinho Califórnia, que dá pra comer um e achar gostoso; a salada com peixes crus e molho picante; o broto de bambu com alho (me corrijam se me lembrei errado); o yakisoba de carne com legumes e a banana caramelada com sorvete, de sobremesa. O shitake com molho (acho que é ponzu), além de ter uma textura desagradável, é adocicado e enjoativo. Você coloca na boca, dá as primeiras mastigadas e o que não foi mordido, já era. Não tem jeito de mastigar tudo, pois os pedaços inteiros remanescentes escorregam de um lado pro outro da boca e você não pega mais. Aí, ouvi o aniversariante dizer a seguinte pérola: “O que não der pra mastigar, engole inteiro”. Eu mereço... Preferi descartar discretamente no guardanapo. Aquele cogumelo molenga na minha boca já estava me enjoando. Devo confessar que o tradicional sushi não me agradou. O gosto do arroz à moda oriental não combinou com as minhas papilas gustativas. É uma questão de química.

Nada contra os peixes crus, até achei gostosos, mas eu e o molho shoyo (representante mor dos alimentos adocicados) não nascemos uma para o outro. No fim da orgia japonesa alguém pediu tempurá de queijo, tomate e orégano e eu comi pensando: “Quando vamos num rodízio de massas?”.