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segunda-feira, 21 de julho de 2008

Que gosto tem?

Que gosto amargo tem as dúvidas e todas as incertezas da vida. Parece que impregna a boca, incomoda. É como comer o pedaço errado do peixe. A amargura vem de surpresa, quando não esperamos lidar com os imprevistos. Aliás, eles têm esse nome justamente porque não sabemos quando vão chegar. Visitantes indesejados, mas que, por vezes, nos trazem um novo olhar sobre coisas inertes que não notamos mais. Elas estão ali, preenchem espaço e só. São hábitos inúteis, defasados.
Diria, então, que as decisões são salgadas. Tiram essa umidade melancólica da gente. Você sente sede, quer mais e mais. Isso te move. Você segue até matar a sede, até o conforto da sua boca úmida. Até a letargia de um clima tropical, de um estado constante de água de coco fresca misturada na saliva.
Uma hora a sede passa e fica esquecida num canto qualquer do dia-a-dia. A conquista perde o sabor depressa demais, como goma de mascar: uma só nunca é doce o suficiente. Quer-se mais! É como qualquer vício. Você vai ficando insensível, insatisfeito...

É preciso sentir o trincar dos cantos da língua, os espasmos quase doloridos da acidez das idéias inquietas. Aí, você se pergunta qual é mais incômodo, o amargo da indecisão ou azedo da inquietude. Talvez seja melhor nunca deixá-los perdurarem por muito tempo...

O descaso, esse sim, pode ser mais corrosivo que as incertezas, mais impalatável que as dúvidas. Dilui a nossa humanidade numa vida insípida, que não refresca como água, nem nos adoça. Um desgosto.

A alternância dos sabores, sim, faz da vida uma experiência completa e desconcertante. Um banquete pros nossos sentidos...de existir.

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