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terça-feira, 29 de julho de 2008

Vinagrete chique

Uma das preparações mais simples e populares que temos atende pelo nome de vinagrete. Afinal, quem nunca preparou_ ou, pelo menos, ajudou a cortar a cebola_ o famoso molho à campanha que funciona como o intermediário perfeito entre a carne e a farofa do churrasco? É bem verdade que esses dois nomes são ditos como sinônimos, mas andei me informando e parece que o molho à campanha é uma variação do vinagrete_ molho de origem francesa à base de mostarda, iogurte ou maionese, adicionado de uma parte de azeite, outra de vinagre e condimentos variados.
Origens à parte, descobri no último fim de semana que a famosa mistura de vinagre, azeite, cebola, pimentão e tomate pode ser ainda mais irresistível e inusitada.
No sábado à noite, num frio que nem cachaça com mel dava jeito, foi quando decidimos experimentar as maravilhas flambadas de um restaurante em Maringá, anunciadas por uma “promoter” na noite anterior. O lugar era meio rústico e aconchegante. A iluminação ficava por conta das várias velas distribuídas pelo ambiente. As toalhas das mesas tinham uma estamparia que fazia lembrar de casa_ acho que a idéia era mesmo essa. Pelas paredes, quadros com personagens de algum artista desconhecido que emprestou sua criatividade também pra moça rechonchuda e desavergonhada posando seminua junto às chamas da logomarca do restaurante “Fogo Carioca”. Havia uma harmonia curiosa no lugar.
Antes de partir para o prato principal, tivemos a melhor idéia da noite: pedir uma entrada. Aberto o vinho, recebemos uma vasilha com vinagrete acompanhado por uma cestinha com torradas cobertas por manteiga e alecrim. Mas não era um vinagrete comum. Era “O” vinagrete! Estava escrito no cardápio: vinagrete de framboesa. Mas é difícil explicar o que foi degustado naquela noite. O equilíbrio entre o adocicado da fruta, a acidez do vinagre e a picância da cebola era tão perfeito que pedimos outro cesto de torradas! Não dava pra parar de comer... Foi impossível controlar minhas caras e bocas de deleite diante daquela descoberta. O prato principal_ o farfale com legumes flambados e truta defumada_ virou coadjuvante. A gente só queria saber do viangrete!
Voltei de viagem e pesquisei a respeito. Encontrei esta receita que acredito se aproximar do que provei no sábado: morangos picados + cebola branca picada + cebola roxa picada + pimentão amarelo picado + salsinha + azeite + vinagre balsâmico de framboesa + sal + açúcar mascavo ou melaço = vinagrete de framboesa delicioso.
Quem se animar a prepará-lo, me convide para a degustação, por favor. Caso eu me aventure a testar a receita qualquer dia desses, retorno ao assunto com todos os detalhes.
Segue abaixo outra receita semelhante (mais completa) que deve ser igualmente maravilhosa.
Estou aqui tentada a sugerir um festival de vinagretes. Quem topa?

Molho vinagrete de morango

Rendimento: 4 porções de 150 g
Tempo de preparo: 10 minutos
Ingredientes
· 10 morangos médios . 125 g
· 1/2 maço médio de cebolinha-verde . 35 g
· 1 cebola média . 115 g
· 3 colheres (sopa) de vinagre de vinho branco . 45 ml
· 1/2 xícara (chá) de vinho branco . 120 ml
· 1 colher (sopa) de pimenta-do-reino verde em conserva . 10 g
· 5 colheres (sopa) de azeite de oliva . 50 g
· Sal a gosto

Modo de Fazer

1. Lave os morangos e a cebolinha em água corrente. Tire os pecíolos dos morangos.
2. Coloque os morangos e a cebolinha em uma tigela com solução de hipoclorito. Siga as especificações do fabricante. Em seguida, escorra a solução e seque com toalha de papel os morangos e a cebolinha-verde.
3. Pique os morangos em pedaços pequenos e a cebolinha-verde finamente. Descasque a cebola, lave-a e pique em pedaços pequenos.
4. Coloque em uma tigela os morangos, a cebolinha-verde, a cebola, o vinagre, o vinho, o sal, a pimenta-do-reino e o azeite de oliva. Misture com cuidado até ficar homogêneo.
5. Sirva com salada e sobrecoxa de frango grelhada.
Valor nutricional por porção
160 calorias; 7 g de carboidratos; 1,5 g de proteínas; 13 g de gorduras totais (1,5 g de saturada, 9,5 g de monoinsaturada e 2 g de poliinsaturada); 0 de colesterol; 2 g de fibras; 4 mg de ferro; e 74 mg de cálcio.

Fonte: http://www.azeite.com.br/content.php?action=rate&recid=2786

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Que gosto tem?

Que gosto amargo tem as dúvidas e todas as incertezas da vida. Parece que impregna a boca, incomoda. É como comer o pedaço errado do peixe. A amargura vem de surpresa, quando não esperamos lidar com os imprevistos. Aliás, eles têm esse nome justamente porque não sabemos quando vão chegar. Visitantes indesejados, mas que, por vezes, nos trazem um novo olhar sobre coisas inertes que não notamos mais. Elas estão ali, preenchem espaço e só. São hábitos inúteis, defasados.
Diria, então, que as decisões são salgadas. Tiram essa umidade melancólica da gente. Você sente sede, quer mais e mais. Isso te move. Você segue até matar a sede, até o conforto da sua boca úmida. Até a letargia de um clima tropical, de um estado constante de água de coco fresca misturada na saliva.
Uma hora a sede passa e fica esquecida num canto qualquer do dia-a-dia. A conquista perde o sabor depressa demais, como goma de mascar: uma só nunca é doce o suficiente. Quer-se mais! É como qualquer vício. Você vai ficando insensível, insatisfeito...

É preciso sentir o trincar dos cantos da língua, os espasmos quase doloridos da acidez das idéias inquietas. Aí, você se pergunta qual é mais incômodo, o amargo da indecisão ou azedo da inquietude. Talvez seja melhor nunca deixá-los perdurarem por muito tempo...

O descaso, esse sim, pode ser mais corrosivo que as incertezas, mais impalatável que as dúvidas. Dilui a nossa humanidade numa vida insípida, que não refresca como água, nem nos adoça. Um desgosto.

A alternância dos sabores, sim, faz da vida uma experiência completa e desconcertante. Um banquete pros nossos sentidos...de existir.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Aventuras no Ártico.

Que fome!
As festas do Caco são maneiras, mas nunca tem "necas" pra comer. Ok, tinha aquele amendoim na mesa da sala, mas tá ali desde a faculdade. Ainda não tinha bebido o suficiente pra encarar uma viagem no tempo_ no tempo em que o amendoim era vivo. Vai que dava uma "siquisira"...
Quando eu cheguei, vi umas azeitonas na cozinha que nosso amigo Ogro fez o favor de engolir com caroço e tudo em 10s. Depois disse com a maior cara de pau que não ia poder ficar, o infeliz. Foi lá só pra acabar com a comida da festa!
Tava aqui pensando se essa dor de cabeça é de fome ou das porcarias que eu bebi. Ou da soma dos dois... Caraca, minha barriga tá mais vazia que o "Maraca" na segunda de manhã! Perai, acho que ouvi alguma coisa! Opa, há vida neste corpo! Tentativa 1 de comunicação "terra para barriga":

_Tem alguém aí? Pode me ouvir?
_ Bruuuuuuuu...
_ Acho que é um "sim".
_ Preciso comer, né?
_ Bruuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu...
_ Acho que é um "claro, seu imbecil!".

Vamos ver o que temos aqui... Putz, a minha geladeira parece o Ártico_ gelada e quase inabitada. Sou um desbravador das geleiras explorando esse ambiente inóspito. Hora da caçada! De cara, encontro água em abundância. Mais adiante, encontro um espécime que parece um queijo, mas apresenta uma pelugem típica de um algodão doce. Não sei se é venenoso. Melhor deixar passar. Seguindo, avisto um pedaço de gelo côncavo e estranho que me lembra algo como um prato com pizza. Não me lembro da última vez que pedi pizza. Nem de ter pedido pizza vegetariana. Que troço verde é esse na minha calabresa? Pô, a gente pede a comida, paga caro e não entregam direito... Sacanagem. Ih, tem um treco verde aqui embaixo junto com supostas maçãs, que eu não comi. Isso é coisa da minha mãe " Menino, você precisa comer direito! Tá fraquinho! Vai acabar ficando doente!". Espera aí! As maçãs tão murchas e o (deixa eu ver o que é isso) al-fa-ce a-me-ri-ca-no tá bonzinho. Caraca, deve taí há uma semana, sei lá... Isso não murcha, não? Mó Highlander esse alface! Ai, ganhou moral comigo. Vou comer isso aí que nem o Popeye comia espinafre. Eu tenho a força! Não, acho que quem dizia isso era o He-Man... Sei lá. Mas comer isso puro é brabo. Ah, minha mãe fica falando de azeite, que faz bem pra saúde, blá, blá, blá... Ela deve ter comprado um. Achei! Como é que abre isso, hein? Dã, tampa de rosca, mongol! Aí, ficou bom esse negócio. É crocante. Acho que vou colocar sal... Nossa, se eu não estivesse tão bêbado, podia jurar que isso é batata chips...