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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Lugar nenhum.

Que lugar estranho é uma rodoviária. De dia ou de noite a estranheza é a mesma. Muitas pessoas, de muitos lugares com diferentes destinos. Uma sopa de destinos destemperada, insípida. Seria isso o que nos torna tão desamparados no meio dessa multidão toda?
Essa idéia me ocorreu quando vasculhava a bombonière da rodoviária no último feriado. Eu só queria comprar uma garrafa d'água, mas fui fisgada pela fascinação quase infantil diante da variedade colorida e apetitosa de guloseimas hipnóticas... Doces de todos os tipos, da mais clássica bananada a confeitos recheados com chocolate. Biscoitos doces, com e sem recheio, balas que pareciam contemplar um arco-íris de cores. Biscoitos salgados de vários sabores e suas embalagens vibrantes e convidativas. Chocolates e bolos caseiros expostos de forma indecente, pra quem quisesse ver e comer. Sucos, refrigerantes, iogurtes... e a água!
Tudo pra nos confortar. Um lugar projetado para compensar a espera, a distância das pessoas queridas e aquela pontinha de solidão que nos belisca quando estamos provisoriamente sem lar. Em lugar nenhum...

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