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quarta-feira, 21 de maio de 2008

TPM

Após 1 ano de treinamento árduo e 2 anos de trabalho escravo nos corredores e subsolo sinistros do CCS, oferecendo cada milímetro da minha alma ao projeto, cheguei a tão temida e aguardada TPM (tensão pré-mestrado_ defesa). No meu caso, este curioso processo se dividiu em três fases: de congelamento, de transição e de descompressão.

Logo após entregar as cópias da dissertação para os avaliadores e preencher toda a papelada necessária, ao invés de me sentir aliviada, eu entrei em pânico. Afinal, agora éramos eu, meus conhecimentos e a banca! Eu não gritei ou coisa semelhante. Eu simplesmente congelei e meus músculos se contraíram em protesto. Eu mal podia me mexer, pois meu corpo doía só de pensar nisso. Eu mal podia falar. Eu sem falar?! A sensação era que eu ia explodir feito panela de pressão sem água. Minha mente em pane só pensava em... comer! É impressionante como nos refugiamos nos prazeres mais básicos quando estamos, digamos, acuados... Nada escapou ao meu apetite angustiado e voraz. Não que eu tenha comido além do que costumo. Não! Mas comia como se fosse a última vez. Como se, após a defesa, eu fosse renascer para uma outra vida onde os sabores deveriam ser diferentes, de preferência melhores. Queria ter uma lembrança vívida pra comparar o antes e o depois. Pesquisar está no sangue!

Fico me perguntando se tudo isso era uma preparação para as fases seguintes...

Para não enlouquecer, resolvi fugir para a serra a fim de iniciar o processo de despressurização com segurança. Logo que cheguei em Friburgo, percebi que havia esquecido qual era a sensação de uma temperatura de 9ºC. Meu rosto enrijeceu em segundos, meus lábios arroxearam e eu notei minhas mãos pálidas saindo das mangas do meu casaco preto. É, estava muito frio pra minha alegria!

Mas antes da transição, cheguei ao auge da fase 1. Eu assustei minha mãe com a primeira pergunta ao adentrar a casa: “Tem vinho”? Meu sangue parecia voltar a circular após uma taça bebida com certa urgência. Mas a melhor surpresa foi no jantar. Há um pequeno restaurante em Lumiar chamado “O Italiano” onde podemos degustar massas caseiras da melhor qualidade. Resolvi me arriscar pedindo uma lasanha à bolonhesa, apesar de não ter boas experiências com lasanha _são sempre gordurosas pelo excesso de queijo. Esta, contrariando a tendência, era perfeita: queeente, textura suave, um molho incrível, resumindo, deliciosa! Com vinho ficou melhor ainda! Degustei o jantar com ansiedade, me lembrando que era minha última lasanha pré-defesa_ depois tenho que voltar lá pra comer de novo e dar prosseguimento às minhas análises. Finalmente, fiquei mais tranqüila e pronta pra encarar o frio. Só não sei dizer se foi porque me livrei das paranóias ou o álcool fazendo efeito.

O fim de semana bucólico passou depressa demais pro meu gosto. Já era segunda-feira e a realidade esmurrava a minha porta: “Você não tem pra onde fugir”!_ dizia ela com um certo prazer. E eu respondia pra mim mesma: “Eu seeei”. Providenciei abstinência total de cafeína_ nada de café, chocolate, guaraná natural, etc_ e acordei por volta de 6h da manhã pra conseguir dormir bem na véspera. Táticas de guerra... Na verdade, fiquei meio sem apetite. Nada tinha muito sabor. Eu não conseguia prestar atenção no que eu comia. Paladar e olfato inoperantes. Todos os sentidos voltados para a visão da inevitabilidade: a defesa. Fiquei anestesiada e eufórica_ dizem que são sintomas da despressurização. Um estado delirante que me convencia de que eu havia nascido para isso.

Ainda não conclui se houve mudanças no meu paladar. Este estresse todo detonou o meu sistema digestivo. Encontro-me em fase de recuperação pós-defesa. Creio que mais estudos precisam ser feitos...


2 comentários:

Tatiana disse...

Amigaa...só agora vi o seu blog...hihi
desculpe a demora hihi...
nossa q descrição perfeita hihih...eh sempre assim quando se antecede uma avaliação, mas graças a deus deu td certo hihi...!!!vc mereceee...!!!E fico feliz em poder ter feito parte dessa sua fase hihi...
um beijo grande....

Mônica Lobo disse...

É, amiga, deu tudo certo. E você ajudou muito pra que isso fosse possível. Obrigada!

Beijinhos.