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domingo, 27 de abril de 2008

Conspiração

Agora me lembro! O dia já começou errado e nem reparei. Logo pela manhã, um amigo de Minas e meu irmão, que mora em SP, cancelaram a vinda ao Rio no feriado, ambos alegando só poderem vir no fim do mês. Talvez eles já estivessem em poder do inimigo. Podia ser um pedido de socorro codificado. O que fazer? Se contasse pra alguém, achariam que estava louca...

Sabe quando você anda pela rua e começa a ver pessoas parecidas com pessoas que você conhece? Parecem clones, um exército programado para te seguir e vigiar seus passos. Percebi a estratégia num erro deles. Pela manhã, fui à casa de um amigo e, ao entrar, me deparei com o livro 1808 em cima da bancada da cozinha. Aquele livro cor de papelão com suas 400 e tantas páginas parecia me encarar. Meu amigo não estava rabugento como de costume, parecia inquieto. Nem fez piadas machistas de mau-gosto que me fazem rir. Se ele não abraçou a causa feminista, há algo estranho acontecendo.

Mais tarde, enquanto aguardava a Taty no Café do cinema, vi adentrar o local um rapaz moreno atraente (olhos verdes, visual despojado) com o mesmo livro na mão. "Não acredito! Me seguiram até aqui! Acharam que eu não repararia?"_ pensei. Devia ter um microfone ou uma câmera naquele livro. Ou seria uma espécie de código de identificação entre eles? Não sei, estava ficando nervosa. O rapaz, misteriosamente, permaneceu sentado, próximo à mesa onde eu estava, de costas (pra disfarçar) e saiu uns 10min depois, após olhar o visor do celular. Devem ter percebido que eu sabia de tudo... Devem ter mandado ele se livrar do livro...

Assim que minha amiga chegou, fiquei mais tranqüila. Pedi um capuccino pequeno, um pastel de forno recheado com gorgonzola e maçã (decorado com amêndoas) e um bolinho macio e úmido coberto com um delicioso creme de limão e sementes de papoula. "Nossa, eu comendo queijo com fruta"? Estava ótimo, mas, será que já estavam controlando minha mente?!

Consegui relaxar um pouco assistindo ao filme. Adorei o “2 dias em Paris”. Ri escandalosamente. A cada gargalhada, as pessoas me olhavam. "O que deu em mim"?! Tinha algo naquele café, tenho certeza! Eu estava tonta na saída da sessão. “Não posso apagar. Preciso resistir”. _repetia pra mim mesma. E se minha amiga for cúmplice deles? Marcar pra ir ao cinema pode ter sido uma isca... Será? Ela parecia tão normal...

Me despedi dela e fui cambaleando pela rua. Estava meio escuro, pessoas estranhas passavam por mim... Fui pro apartamento que divido com outra amiga ali perto. Ao abrir a porta, encontrei tudo revirado. Fiquei em pânico! De repente, a campainha tocou. Com uma certa dificuldade, caminhei em direção à porta. Nossa, como minha cabeça doía...

A Mary entrou em casa, me ajudou a sentar e me trouxe um copo d’água. Logo pensei: “Acho que ela acreditaria em mim”. Então, contei tudo e antes que pudesse ouvir sua resposta, vi a sala rodando e minha última lembrança é um sorriso cínico no rosto dela...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Estômago: o filme.

Quando inventei de assistir a esse filme com minhas amigas (nutricionistas) foi na intenção de unir cinema e alimentos numa só noite. E não estou falando de sentar na sala escura pra comer pipoca. E sim, da oportunidade de ver na telona os alimentos em seu momento de arte cinematográfica!

Após a sessão, não pude deixar de lembrar-me de "O banquete de Babeth", em que a protagonista prepara um jantar que faz o expectador salivar... Mas, o filme "Estômago", esse é um banquete do início ao fim!

terça-feira, 15 de abril de 2008

Meu bel-prazer.

Dentro de um Café (digo o lugar, não a bebida), fica fácil imaginar porque gosto tanto de estar lá. Há um bem charmoso perto da minha casa, no centro de Niterói, ao alcance do meu apetite de saborear aquelas infernais iguarias cafenianas.

Noutro dia descobri (degustando, claro!) que fazem lá um waffle maravilhoso, tão bom quanto o que costumo comer no centro do Rio. Confesso que, a enorme livraria que ornamenta o café do centro do Rio dá um charme a mais pro lugar; por outro lado, o torna barulhento demais também. O Café da minha vizinhança tem a característica essencial de ser silencioso. De lá de dentro pode-se ver pessoas com passos frenéticos cruzando a calçada, carros acelerando e freando, mas o que prevalece é o som ambiente. A música sempre agradável mergulhada nesta tranqüilidade quase inacreditável faz a visão da rua parecer um daqueles filmes mudos antigos. Só que colorido.

Outro contraste que acho irresistível é o duelo entre o moderno e o rústico. A máquina de café expresso metálica, fervendo, serve o café que acompanha um pão de queijo numa cestinha de palha. Os kits individuais, com bandeja, xícara, pires, tudo personalizado, pra servir um bolo de laranja tão delicioso quanto simples. A madeira do balcão confere ao ambiente um tom acolhedor, enquanto o design das cadeiras nos traz de volta à realidade: é, definitivamente, não estou em casa!

A vaidade de maquiagem, mil roupas e tal que não possuo, aplico ao ato de comer. Além do sabor, gosto que o que como seja bonito. Um waffle dourado com manteiga derretendo em cima e geléia de amora, uma torta de chocolate que de tanto chocolate seja quase preta e brilhante; uma mousse de maracujá bem amarela com suas sementes próprias decorando a superfície. Quem nunca prestou atenção na vitrine de um Café, não sabe o que está perdendo. Aquelas belezuras são pequenas, lindas e bem mais baratas que roupas de moda. E ainda pode comer!

O café e seus subprodutos merecem um parágrafo especial. Não sou fã do café expresso tradicional, prefiro versões mais incrementadas. Sei que vai parecer frescura, mas adoro quando fazem desenhos na espuma do capuccino...A mistura de café, canela e chocolate é a perfeição das combinações quando bem efetuada. Eu me derreto toda. Café com leite, com licor de laranja, com limão, com sorvete de creme... Além dos quentes, há também os gelados: o capuccino e o café tipo frozen são os meus preferidos.

Em janeiro deste ano, tive o prazer de conhecer um Café alojado dentro de uma sala de cinema, no CineSESC-SP, na famosa rua Augusta, localizada no centro da cidade. Aquele episódio foi a realização de um sonho de união de duas paixões: o Café e o Cinema. Assistir ao filme da mesinha do Café foi inacreditável e extasiante. Eu poderia morar lá!

Obs: A foto acima é de minha autoria. Eu bebi esse!!! Lindo!