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quarta-feira, 5 de março de 2008

Quatro chocolícias e a conta!

Parecia um domingo normal. Acordei por volta das 12h, estava na casa da Mari. Passamos as primeiras horas do nosso dia conversando e ouvindo música no Youtube. Bom, a parte em que cantamos “Vapor barato” junto com a Gal eu pulo.
A idéia era almoçar e ir pro Arpoador ver uma apresentação de dança “sei lá do que”. Enfim, a idéia era ir pra praia num lindo dia de sol. Mas antes de sair, resolvi ligar (prometi que ligaria) para a chefa a fim de combinar a assinatura dos contratos do trabalho etc. E qual foi minha grande surpresa? Eu tinha até o final da tarde pra ir até à casa dela na Tijuca fazer isso! Detalhe importante pra história: eu estava em Botafogo e os contratos lá em casa, em Nikiti! Momentos de tensão... Visualizei toda a trajetória da minha odisséia e quis chorar. Aquele dia ensolarado, em segundos, se transformou num inferno onde eu derreteria feito manteiga em frigideira quente. Eu me perguntava: e os meus sonhos? Meus ideais? E o almoço na casa da Paloma (irmã da Mari)? Tudo bem, é importante, tenho que ir_ eu tentando me consolar. Respire fundo, sorria e vá antes que fique tarde_ continuei tentando me consolar.
Sai da casa da Mari por volta das 14h30, andei até a praia de Botafogo e não esperei muito pelo "busu" pra Niterói. Durante o trajeto, não consegui deixar de apreciar a vista ao longo da ponte Rio-Niterói. Que dia lindo... Acorda, Mônica! Você está a trabalho!
Em casa, enfiei dentro da mochila os documentos, um casaco e a metade do pacote de chocolícia que a Mari me deu por dó antes de eu sair da casa dela. Sem almoçar, fui bebendo uma garrafinha de iogurte que achei perdido na geladeira.
O sol de 3 da tarde estava especialmente quente. Senti minha pele tostando como a de um galeto de padaria. Quando terminei minha caminhada de São Domingos até o terminal do centro de Niterói, minha pele já havia produzido óleo suficiente pra fritar um ovo. Pelo menos o ônibus já estava lá, sem ar condicionado, mas estava lá. Não esquecendo que é domingo, tive o desprazer de ver adentrar o ônibus um bando de caras mal-encarados e mal-educados indo para o Maracanã ou algo do tipo. Eles eram barulhentos, mal-cheirosos e estavam fumando maconha. Ainda fiquei no meio das fotos que eles estavam tirando, vaidosos com suas camisas do Botafogo. Mal sabiam eles que perderiam a final de novo pro Flamengo... Nessas horas a ignorância é pura felicidade.
A parte em que desci na Av. Presidente Vargas, peguei o metrô e fui pra Tijuca foi a mais tranqüila da história. Aliás, que lugar quente a Tijuca! Bebi litros d’água na casa da chefa. Aí, normal, conversamos um pouco_ com seu cachorro estranho emitindo um ruído que mais parecia de um leitão e babando os meus pés _, ela assinou os papéis e fui embora. A sobrinha dela me indicou a melhor opção de transporte pra Praça XV e eu segui o conselho. Finalmente iria pra casa, tomaria um banho e almoçaria. Já eram 18h e eu à base de uns 4 chocolícias, uma garrafinha de iogurte e meia caixinha de mentos sabor iogurte de morango. Somado ao fato de eu ter acordado com a garganta inflamada e febril. O mal-estar era dominador e sádico, muito sádico!
Na esquina sugerida, encontrei um senhor pançudo e de bigode que me informou o ponto onde passaria o tal ônibus. Fui pra lá e esperei. Após uns 10 min, o bendito ônibus apareceu e passou direto. Pqp!!! Fiquei sabendo por duas senhoras simpáticas que aquele era o ponto errado. Ai que vontade que deu de esganar o do bigode! Fui pro ponto certo e esperei... Como se não bastasse a gripe, o calor e a fome, uma rajada de vento varreu a rua de repente e toda a poeira da Tijuca colou na minha pele oleosa. Pude sentir uns grãosinhos agarrados entre os meus dentes. E o pior, aquele vento anunciava o que o céu trazia de presente pra mim: nuvens cinza-chumbo avançando furiosamente. E o ônibus que não chegavaaaaaaaa!
Não houve jeito, a tempestade caiu mesmo e tive que me refugiar num posto de gasolina ao lado, com mais meia dúzia de desafortunados como eu. A chuva foi tão forte que em poucos minutos alagou a rua e nos manteve espremidos no cantinho perto do banheiro. Situação lamentável... Vi um raio subir na nossa frente. Assustador! Ele estava tão próximo que pude enxergar a faísca quando ele se dissipou. E os trovões... Morri de medo. Em seguida, transformadores explodiram pela rua em estrondos seqüenciais. Já passava das 19h30 quando a chuva melhorou e faltou luz em todo o bairro.
Recapitulando: ali estava eu, suada à milanesa, cansada, com os pés molhados, com fome, dor de garganta, febre, no meio da rua escura e sozinha na Tijuca! Os ônibus já não passavam mais em intervalos regulares e no escuro, só o que dava pra enxergar eram os faróis brilhantes, mais nada. Como uma criança perdida na praia (ai, a praia!), comecei a chorar e decidi pegar um táxi até a praça Saens Peña . Entrei no metrô, sentei no banco e chorei, chorei, me lixando pra outros a minha volta. Chorar eu podia, ninguém ia me tirar isso! Quando percebi que havia perdido meu brinco preferido, então, chorei muito mais. Buábuábuáááá!
Fiz a rota mais longa e segura: desci na estação do Largo do Machado e sentei pra esperar o 996. Sim, esperar é a palavra perfeita, pois que este maldito ônibus demorou mais de 40min para aparecer. E eu sentada no ponto, pensando na única coisa que desejava mais que tudo: chegar em casa. Um cara bem humorado que também aguardava o 996 puxou assunto. Acabei conversando com ele. Foi bom, me senti menos mulambo. Ele veio com um papo de “eu trabalho como segurança, fico em pé o dia todo e estou aqui na boa”. Nem discuti, não tinha forças. Deixei ele pensar o que quisesse do meu deplorável estado de ânimo. Me restringi a rir de suas histórias e de todo um discurso sobre o conforto que um carro proporciona. Apesar de ser a última coisa que gostaria de ouvir naquele momento.
Obviamente o 996 veio lotado. Sem reclamar, me sentei na escada de saída do ônibus junto com uma garota que ouvia seu mp3. Sentia que, enfim, chegaria em casa. De alguma maneira eu me arrastaria feliz do ponto até meu prédio do outro lado da rua. Mas antes, ainda teria uma provação final. Sim! A minha trajetória rumo ao meu estado deplorável mor não tinha terminado. Na descida da ponte Rio-Niterói, próximo ao pedágio, policiais militares empunhando suas escopetas ou algo do tipo, mandaram parar o ônibus. Denunciaram um assalto ocorrido na ponte e eles estavam parando todos os coletivos. Exigiram que alguns descessem e o restante teve que ficar uns 10 min com as mãos pro alto, como foragidos da justiça, inclusive eu. A minha vontade foi, num ato de loucura, sair gritando: “EU SÓ QUERO CHEGAR EM CASA!!! SERÁ QUE É PEDIR MUITO?!!!”. “AAAAAH!!!”. Mas consegui me controlar e só ri, aquele risinho de quem já perdeu a esperança na vida, nos seus semelhantes e tal. Um riso irônico e insano.
Ao chegar em casa às 22h, finalmente consegui almoçar. Almoço?! Nem sabia mais que nome dar pra isso...

2 comentários:

Alexandre disse...

conhecendo vc como conheço, puta que pariu, que dia, hein??!!!!
Foda, foi terminar com os braços para cima, imagina o cheiro do "cc", ui!!!
bjs!

Mônica Lobo-Nutricionista disse...

Kkkkkkkkkk. Ainda bem que o busu tinha ar condicionado!

Bjs.