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terça-feira, 28 de agosto de 2007

Só o Cacau Salva

São 7h da manhã, acordo como qualquer outro dia “de-segunda-a-sexta” da semana. Está difícil de levantar. A cada 10 min o despertador me lembra que não posso mais adiar o inevitável. Então levanto. Meu corpo dói e meus olhos quase não abrem de tão inchados. Sinto um cansaço de noite mal dormida. Mas eu dormi bem! Não entendo.
Na cozinha, encontro minha mãe já elétrica e falante. Como pode estar assim tão cedo? Ela é assim: dorme e acorda com os passarinhos, segundo uma amiga minha. Como de costume, me faz meia dúzia de perguntas ou simplesmente emite comentários que eu ignoro solenemente. Eu, estranhamente, faço uma cara que parece uma mistura de tédio e desprezo.
Então, ouço dela:
_ Ih, tá na TPM.
Aquele comentário me irrita mais ainda, porque sei como será difícil manter o controle pelos próximos 10 dias...
Respiro fundo e saio de casa com vontade de não sair. Ando como se carregasse bolsas de areia nos pés. Ah, essas olheiras, esse cabelo sem brilho que tratamento nenhum dá jeito... Que saco! Uma sensação desoladora de impotência diante da situação estética deplorável. Não consigo sequer combinar roupas! São dias de feiúra irremediável.
Quando chego ao trabalho, passo sempre pela lanchonete. É o caminho normal. Só que, hoje, a vitrine com chocolates me chama especial atenção. Promessas coloridas de satisfação intensa e imediata. Uma fonte perfeita de serotonina (o chamado “neurotransmissor da felicidade”). Eles parecem suplicar: “Me compre, me coma”. Eu sou forte! Respiro fundo e sigo adiante, afinal, seres inanimados não podem mandar em mim! Não podem mesmo, mas passei o resto da manhã pensando em revê-los.
Mais tarde, concluo: ”Eles nem são meus preferidos. Gosto mesmo é de chocolate meio amargo e brownie feito na Serra”. Já sei! Posso passar no Centro da cidade quando estiver indo pra casa. Lá encontro essas delícias facilmente. Não! Não devo fazer isso! Preciso resistir!
No fim do dia, estou eu indo em direção ao Centro. Achei melhor matar logo a vontade, antes que ela me enlouquecesse. Foi só isso. Passei na loja, comprei aquele brownie incrível e o saboreei como se fosse o primeiro e último da minha vida. O que senti foi um prazer orgasmático. Só mulher na TPM pra entender isso. Lembro-me de uma cena do filme Drácula (Francis Ford Coppola) quando o próprio (Gary Oldman) prova o sangue do jovem Jonatham (Keano Reeves) após ele se cortar com a lâmina de barbear. Aquela expressão do conde após lamber a lâmina explica tudo! Ele sabe o que é serotonina!
Naquele momento sublime, a alimentação saudável, a silhueta e a culpa são mandadas temporariamente pra um lugar distante e sombrio cujo nome a boa educação não me permite pronunciar. Porque a única coisa que se consegue pensar é: “Como esse maldito brownie é gostoso!” O mundo que se exploda! De preferência, como bomba de chocolate...