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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O Congresso e a Melancia

Estava eu no quarto do hotel, com vista pro Congresso Nacional, juntamente com minha colega de trabalho. Tínhamos a tarde livre: "Vamos passear!" Pois bem; eu não tinha levado tênis, nem sandália; só dois sapatos. Ela comprou um tênis pra ela e eu não achei nada de interessante pra comprar. Portanto, peguei o chinelo dela emprestado, e dana a andar! Passamos por alguns dos pontos turísticos de Brasília: a Catedral, o Museu de Brasília, os Ministérios, a Torre de TV, e enfim, a última parada, o Congresso Nacional. Mas tinha um “porém”, tava um sol do “piiiii”, naquele lugar seco da “piiiiii”... Água não dava mais conta.
Não tem camelô na rua! Precisávamos de algo suculento. Foi, então, que avistamos uma banca de frutas! "Ah, é isso!". Érika comprou abacaxi e eu, melancia. Eles, lá, cortam a fruta em pedacinhos e põem num saco plástico que ainda acompanha guardanapos e garfo! Perfeito! Compramos. E seguimos a caminhada. Na metade do saco eu não agüentava mais comer, era melancia demais...Fechei o saco e segui andando.
Chegamos ao Congresso e descobrimos que poderíamos entrar; afinal, somos Cidadãs Brasileiras! Aí tirei a foto: Eu (a fotógrafa), o saco de melancia (em primeiro plano) e o Congresso (ao fundo). O fato de parecer que o prédio está afundando foi mera coincidência... Mas até que faz sentido...
E foi assim que eu entrei no Congresso Nacional, de chinelo e com um saco de melancia...Depois sentamos no plenário (onde descobri que o Enéas havia morrido, snif) e ainda tive que aturar cantada de político babão... Mas essa já é outra estória...

Por Carol Rangel (colunista convidada)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Filmes

Pra quem gosta de:


  • chocolate: Chocolate (Lasse Hallström; EUA/Reino Unido, 2000).
  • vinhos: Sideways (Alexander Payne ; Estados Unidos/Hungria, 2004).
  • pêra: Cidade dos Anjos (Brad Silberling, EUA, 1998)
  • comida crua: Old Boy ( Park Chanwook; Coréia do Sul, 2003).
  • torta de maçã: American Pie (Paul Weigtz; Estados Unidos, 1999).

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O Crime do Biscoito

Que atitude tomar diante de um pacote de biscoito recheado de chocolate desprotegido na geladeira do trabalho? Comer e alegar dono desconhecido, apesar de não ter movido uma palha sequer para descobrir o paradeiro da referida pessoa? Perguntar com uma voz quase inaudível na esperança de que ninguém responda e você possa se deliciar sem culpa? Ou anunciar que vai comer mesmo, porque não mandou largar o quitute sozinho assim, se oferecendo?
Bom, lá no trabalho, o tal biscoito ficou umas duas semanas na geladeira (a história é verídica!). Durante a primeira, ocorreu o processo investigativo. Um a um, todos foram interrogados. Afinal, de quem é a guloseima?! Incrivelmente, a resposta nunca foi divulgada, talvez por razões escusas, interesses pessoais, cobiça do lanche alheio...
Na semana seguinte, aquele amontoado de rodelinhas deliciosas de açúcar, gordura e cacau (provavelmente muito mais açúcar e gordura que cacau) foi misteriosamente, dia a dia, ficando cada vez menor. Até que eu, já acostumada a apreciá-lo na porta da geladeira com um aumento leve de salivação na boca, percebi que ele não mais habitava aquele lugar frio e escuro.
Claro que nenhuma pessoa vai confessar a culpa pelo desaparecimento do pobre biscoito, nem sob tortura. Embora eu acredite ter se tratado de um crime premeditado e de múltiplos autores. No final, questiona-se, até mesmo se o biscoito realmente existiu.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Fome no Engarrafamento

Foi viajar? Não tem nada pra comer na bolsa? O seu ônibus tem ar condicionado e janelas bloqueadas? Não vai dar nem pra comprar biscoito "Grobo", por mais que os vendedores brotem comprovando a teoria da geração espontânea? Pegou um engarrafamento que promete consumir horas do seu precioso tempo? Soluções:

  1. Durma. Ainda não inventaram forma mais eficiente de economizar energia;
  2. Faça amizade com a primeira criancinha que aparecer com um biscoito na mão;
  3. Não vá pra Região dos Lagos em feriadão!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

O Episódio da Caixa de Bombom

Certa vez uma amiga me contou que passou uma semana inteira sem conseguir dormir à tarde_ um hábito conservado em salmoura durante anos. Conversando com ela sobre meu trabalho, chegamos juntas à conclusão de que a grande vilã das tardes de sono dela foi uma caixa de bombons! Isso mesmo! Bombons apetitosos ao alcance das mãos podem tirar a concentração e o sono dos mais ansiosos. Tanto que, a expectativa de comê-los no meio da tarde foi capaz de destruir uma tradição. Nesses casos, conclui-se que a melhor defesa é a distância...

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Só o Cacau Salva

São 7h da manhã, acordo como qualquer outro dia “de-segunda-a-sexta” da semana. Está difícil de levantar. A cada 10 min o despertador me lembra que não posso mais adiar o inevitável. Então levanto. Meu corpo dói e meus olhos quase não abrem de tão inchados. Sinto um cansaço de noite mal dormida. Mas eu dormi bem! Não entendo.
Na cozinha, encontro minha mãe já elétrica e falante. Como pode estar assim tão cedo? Ela é assim: dorme e acorda com os passarinhos, segundo uma amiga minha. Como de costume, me faz meia dúzia de perguntas ou simplesmente emite comentários que eu ignoro solenemente. Eu, estranhamente, faço uma cara que parece uma mistura de tédio e desprezo.
Então, ouço dela:
_ Ih, tá na TPM.
Aquele comentário me irrita mais ainda, porque sei como será difícil manter o controle pelos próximos 10 dias...
Respiro fundo e saio de casa com vontade de não sair. Ando como se carregasse bolsas de areia nos pés. Ah, essas olheiras, esse cabelo sem brilho que tratamento nenhum dá jeito... Que saco! Uma sensação desoladora de impotência diante da situação estética deplorável. Não consigo sequer combinar roupas! São dias de feiúra irremediável.
Quando chego ao trabalho, passo sempre pela lanchonete. É o caminho normal. Só que, hoje, a vitrine com chocolates me chama especial atenção. Promessas coloridas de satisfação intensa e imediata. Uma fonte perfeita de serotonina (o chamado “neurotransmissor da felicidade”). Eles parecem suplicar: “Me compre, me coma”. Eu sou forte! Respiro fundo e sigo adiante, afinal, seres inanimados não podem mandar em mim! Não podem mesmo, mas passei o resto da manhã pensando em revê-los.
Mais tarde, concluo: ”Eles nem são meus preferidos. Gosto mesmo é de chocolate meio amargo e brownie feito na Serra”. Já sei! Posso passar no Centro da cidade quando estiver indo pra casa. Lá encontro essas delícias facilmente. Não! Não devo fazer isso! Preciso resistir!
No fim do dia, estou eu indo em direção ao Centro. Achei melhor matar logo a vontade, antes que ela me enlouquecesse. Foi só isso. Passei na loja, comprei aquele brownie incrível e o saboreei como se fosse o primeiro e último da minha vida. O que senti foi um prazer orgasmático. Só mulher na TPM pra entender isso. Lembro-me de uma cena do filme Drácula (Francis Ford Coppola) quando o próprio (Gary Oldman) prova o sangue do jovem Jonatham (Keano Reeves) após ele se cortar com a lâmina de barbear. Aquela expressão do conde após lamber a lâmina explica tudo! Ele sabe o que é serotonina!
Naquele momento sublime, a alimentação saudável, a silhueta e a culpa são mandadas temporariamente pra um lugar distante e sombrio cujo nome a boa educação não me permite pronunciar. Porque a única coisa que se consegue pensar é: “Como esse maldito brownie é gostoso!” O mundo que se exploda! De preferência, como bomba de chocolate...